Crianças e adolescentes, apesar de apresentarem melhores respostas à infecção pelo novo coronavírus, também podem perder a guerra para a Covid-19. As três mortes de pessoas entre 0 a 15 anos, em Minas Gerais, nos últimos quatro dias, reforçam a difícil previsão de como a doença irá se comportar no organismo. O alerta é para que mesmo os mais novos sigam as medidas que visam a conter a pandemia.

Até o momento, 16 mineiros de até 9 anos perderam a vida em decorrência da enfermidade. Outros 12 tinham de 10 a 19 anos. As faixas etárias não são consideradas grupo de risco, mas especialistas afirmam que os casos mostram que nenhuma pessoa está isenta de contrair a Covid e desenvolver a forma mais grave dela, vindo a óbito.

Estudo realizado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), e publicado no Jornal de Pediatria aponta que, além das crianças poderem necessitar de intuba-ção, aquelas que apresentam outras doenças têm cerca de cinco vezes mais chances de complicações. Nesse público, as comorbidades estão concentradas em enfermidades neurológicas e respiratórias crônicas.

Mas até quem é saudável pode ter problemas mais graves causados pelo novo coronavírus. É o caso de uma estudante de 15 anos que morreu no domingo, em Ipatinga, no Vale do Aço, depois de apresentar sintomas da enfermidade em 21 de dezembro. No sábado, ela foi internada se queixando de muita falta de ar e veio a óbito menos de 24 horas depois.

Ontem, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou a morte de uma criança de menos de 1 ano. No dia anterior, foi anunciado que uma menina de 4 anos, em Barbacena, não resistiu à infecção depois de 15 dias de internação – ela também não tinha comorbidades.

“Lá atrás, no início da pandemia, criou-se uma falsa sensação de só quem adoece e é vulnerável faz parte do grupo de risco. Esse aumento da pandemia agora está mostrando que não é isso. Não há ninguém imune. Todos estão vulneráveis”, frisou o infectologista Leandro Cury.

Segundo o médico, que é membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Ibirité, na Grande BH, a gravidade em crianças e adolescentes pode estar relacionada à uma predisposição genética. “Vale lembrar que o vírus pega cada pessoa de um jeito, ele se comporta de forma diferente em cada organismo”, complementou.

A recomendação de Leandro Cury é que as medidas de prevenção devem ser adotadas por toda a população, independentemente da faixa etária. 

“Se continuarmos batendo na tecla de que só tem grupo de risco, os demais não vão se cuidar, vão relaxar. Estamos vendo isso agora, com o aumento do contágio entre os jovens”, destaca o infectologista.