Há pelo menos dois anos sem atingir a meta de proteção contra a gripe em crianças e gestantes em Minas, autoridades de saúde elegeram esses dois grupos como prioridade absoluta para a vacinação em 2019. Na primeira etapa da campanha de imunização, postos estão voltados para o atendimento deste público. A proteção reduz as chances de contaminação e de complicações no organismo. De 1º de janeiro até agora, houve uma morte por H1N1 e 40 por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado, males que poderiam ter sido evitados com uma “agulhada”. 

Mesmo assim, só 3% dos mineiros que podem se vacinar – também fazem parte do público-alvo puérperas, idosos, portadores de doenças crônicas e trabalhadores da saúde – atualizaram o cartão desde 10 de abril, quando a campanha começou. 

O foco nas grávidas e menores de 6 anos se justifica. O sistema imunológico mais frágil os torna vulneráveis a complicações. O alerta foi aceso após a pandemia da “gripe suína”, em 2009. A doença é causada pelo vírus H1N1. 

Flávio Fonseca, professor do departamento de microbiologia da UFMG, explica que estudos comprovaram que esses grupos eram, de fato, mais suscetíveis aos vírus. 

“As gestantes precisam da vacinação pois, durante a gravidez, ficam com o estado imunológico mais enfraquecido. Já as crianças, que ainda não têm o sistema desenvolvido, precisam fortalecer o conjunto de células”, explica o docente. Segundo ele, a imunização da grávida não atrapalha o desenvolvimento do feto. Quanto às puérperas – mulheres que deram à luz há menos de 45 dias –, Flávio é enfático. “É melhor ainda (se vacinar). Porque elas adquirem anticorpos contra o vírus e passam para o bebê por meio da amamentação”.

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Os mitos em torno da imunização contra a gripe são alguns dos problemas a serem combatidos pelas autoridades em saúde. O professor da UFMG diz que a vacinação contra a gripe nunca teve aceitação tão ampla na sociedade quanto a de prevenção à febre amarela, sarampo e poliomielite, por exemplo. “A baixa cobertura, mesmo com seis dias de campanha, é preocupante e nos deixa em situação de alerta”, diz.

Coordenadora do curso de enfermagem das Faculdades Kennedy, Débora Cristine Gomes Pinto explica que algumas pessoas temem a imunização por acreditar em “lendas”. “Algumas alegam que, depois da vacinação, ficaram gripadas. Mas é importante ressaltar a diferença do resfriado e da gripe. Afinal, a vacinação é para prevenir os vírus mais agressivos, como o H1N1 e o H2N3”.

Cuidado

Grávida de cinco meses, a secretária Wendy Sophia, de 24 anos, já compareceu a um posto de saúde para se vacinar contra a gripe. “É essencial. Um cuidado obrigatório comigo e com o meu bebê”, disse.

O professor Marcelo Ramos, de 38 anos, vai levar o filho de 1 ano, Otto, para se vacinar hoje. “Lá em casa nós não descuidamos das vacinas. Elas são primordiais. Damos todas as possíveis. Se não tiver no posto, parcelamos e damos na rede particular, como é o caso de algumas vacinas contra meningite”, afirma o professor, que também deve aproveitar a oportunidade e se imunizar.

Números

Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) mostram que, nos últimos dois anos, a cobertura vacinal em crianças e gestantes cresceu, mas se mantém abaixo da meta. Em 2017, 74,9% das crianças receberam as doses. No ano seguinte, o número saltou para 83,53%. Em meio às mulheres grávidas, o dado subiu de 71,7% para 85,12%. 

Ainda conforme a pasta, que criou a campanha de prevenção com o tema “Gripe é doença séria”, até ontem 456 casos de SRAG foram notificados em Minas. “Buscamos a vacinação antes mesmo do aparecimento do surto. Por causa do frio, as pessoas ficam mais juntas e fecham as janelas. A imunização reduz consideravelmente o número de gripes graves”, diz o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral Pereira da Silva. A meta é vacinar 90% da população.