Um médico denunciado por duas mães que perderem seus bebês está sendo investigado pela Polícia Civil de Formiga, na região Centro-Oeste de Minas. Em menos de 20 dias, dois recém-nascidos morreram na Santa Casa durante ou após o parto realizado pelo profissional. Mesmo após as mortes suspeitas, o médico continua na escala de trabnalho da unidade.

O último caso aconteceu no dia 7 deste mês, quando a dona de casa Alessandra da Silva deu entrada na unidade sentindo contrações. Ela havia feito todo o pré-natal na Santa Casa e disse que nenhum exame havia apontando qualquer problema na gestação. 

"Cheguei no hospital às 7h30 do dia 7 de março, e o médico se recusou a fazer a cesárea, dizendo que eu estava acima do peso e que poderia dar alguma infecção e bactéria por causa disso. Mas, a bolsa ainda não havia rompido, apesar das contrações. Ele demorou muito a fazer alguma coisa e depois ele mesmo estourou a bolsa, induzindo o parto", conta. 

Por fim, a equipe médica precisou fazer a cesárea para retirar o bebê, que havia morrido. Alessandra só viu a criança, uma menina chamada Sofia, no caixão, durante o velório realizado no dia seguinte. 

"Minha filha nasceu com 4,6kg. O pior de tudo foi que não falaram nada com a gente direito sobre o que estava acontecendo, somente depois que ela morreu. Eu estava fraca ainda por causa da cirurgia e meu marido chamou a polícia e fez o boletim de ocorrência", lembra.   

O laudo da necropsia da criança aponta para asfixia por hemorragia como causa da morte, e também mostra que houve uma ruptura na clavícula, segundo o delegado regional de Formiga, Irineu José Coelho.   

Um inquérito foi aberto para investigar o caso na sexta-feira (8). "Já estamos ouvindo os familiares e testemunhas, e vamos juntar os prontuários médicos desde o dia em que Alessandra chegou na unidade. Também vamos ouvir o corpo clínico e todos os profissionais envolvidos", explica o delegado.

Junto à este caso, será investigada também a morte de outro recém-nascido, na mesma unidade, após procedimento realizado pelo mesmo médico. Neste caso, o bebê do sexo masculino morreu na Santa Casa de Formiga apenas 18 dias antes de Sofia, filha de Alessandra.

O delegado não descarta a possibilidade de exumar o corpo do menino, caso seja necessário para o andamento das investigações. O prazo para a conclusão do inquérito é de 30 dias.

A assessoria de comunicação da Santa Casa de Formiga informou que o médico continua na escala normal de trabalho e que ele não irá falar com a imprensa até que saia o resultado da Comissão de Óbito e da Comissão de Ética que apura o caso. Os integrantes das comissões são profissionais da própria unidade. A Santa Casa também não irá emitir nenhum posicionamento antes do resultado da apuração interna. 

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) informou que tomou conhecimento, até então, sobre a morte de Sofia, e que irá apurar a situação. "Todas as denúncias recebidas são apuradas de acordo com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP). Os procedimentos correm sob sigilo. Obedecendo ao CPEP, somente as penalidades públicas impostas aos médicos denunciados poderão ser divulgadas", esclareceu a entidade, por meio de nota. 

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