Grupo formado por quem mais tem se descuidado na proteção contra a Covid-19, o das pessoas até 39 anos viu subir 61% as mortes em decorrência da doença em apenas três meses em Minas. Até 17 de setembro foram 226 óbitos, contra 365 registrados até ontem. A faixa etária mais afetada é a de 30 a 39 anos: o aumento, no período, foi de 67%.

Para especialistas, a falta de atenção às medidas de contenção da pandemia tem contribuído para a elevação dos casos. No último fim de semana, duas festas que reuniram centenas de jovens em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganharam repercussão após imagens que circularam pela internet mostrarem aglomerações e participantes sem máscaras.

Apesar de a grande maioria não desenvolver a forma mais grave, os mais novos também podem apresentar quadros acentuados da enfermidade, destaca a infectologista Cláudia Murta, da Santa Casa BH. “Especialmente se têm alguma doença concomitante, como diabetes, fazem uso de medicamentos para baixa imunidade e são obesos. A obesidade tem taxa de complicação maior, mesmo entre os mais jovens”.

Clínico geral e imunologista da Care Plus e do Hospital Oswaldo Cruz, Eduardo Finger destaca que, estatisticamente, os jovens com Covid-19 têm menos propensão a ter o quadro agravado. Porém, se o paciente for o tipo que terá a síndrome de tempestade de citocinas (moléculas que regulam o sistema imunológico), poderá não apresentar resposta imunológica equilibrada e, provavelmente, será intubado.

O quadro é difícil de ser previsto. “E, infelizmente, a taxa de mortalidade de pessoas que chegam à UTI ainda é muito alta”, frisa o médico.

“Ainda estamos entendendo qual é a relação do agravamento da infecção nos jovens com a deficiência ou superativação de mecanismos do nosso organismo. Temos também avaliado a possibilidade da relação da carga viral do indivíduo estar associada à morte. Pessoas que produzem mais vírus durante a infecção costumam ser casos mais graves de Covid”, ressalta o biofísico Rômulo Neris, doutorando em Imunologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o especialista, esses pacientes podem ter predisposição para gerar a carga viral mais alta ou terem sido expostos a uma grande quantidade de vírus, por múltiplas vezes no início da doença, o que contribui para o agravamento do quadro de saúde.

Seguir as orientações para evitar a contaminação é, neste momento, a melhor prevenção, diz a infectologista Cláudia Murta. “Devemos manter as medidas já conhecidas, como usar máscaras e fazer o distanciamento social”, reforça a médica da Santa Casa BH.