O motoqueiro acusado de empurrar um motoboy do alto de um viaduto na avenida Cristiano Machado, no bairro da Graça, na região Leste de BH, em setembro de 2011, causando-lhe a morte, foi condenado a 14 anos de prisão na última sexta-feira (14). R.R.S. ficou livre durante quase oito anos. 

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o suspeito não compareceu ao julgamento por júri popular na data citada e, por isso, foi julgado à revelia. A sentença foi proferida pelo juiz Ricardo Sávio de Oliveira no Fórum Lafayette, no Barro Preto, na região Centro-Sul da capital. 

O motociclista Marcelo dos Santos Pereira, de 44 anos, morreu após ser empurrado pelo suspeito, que na época tinha 20 anos, em uma briga de trânsito no cruzamento da avenida Cristiano Machado com a rua Jacuí. O motivo, segundo o TJMG, seria uma manobra feita pela vítima na frente do acusado. 

O júri 

O julgamento começou às 9h30 e terminou por volta das 17h da última sexta após a réplica e a tréplica entre acusação e defesa. De acordo com o TJMG, como o réu aguardou o julgamento em liberdade, o juiz concedeu-lhe o direito de aguardar a fase de recurso em liberdade.

Como testemunhas, foram ouvidos um investigador de polícia e o dono da empresa de lanches para a qual o suspeito trabalhava. Essas pessoas relataram apenas o que tinham ouvido sobre o acidente. Também foi ouvido um motorista, que se apresentou espontaneamente como testemunha, alegando que o fez por discordar da acusação de homicídio. 

Segundo ele, a vítima ultrapassou o entregador de moto, pela direita, passando entre seu carro e a mureta do viaduto já desequilibrado. Em seguida, cruzou sua frente, esbarrou em outra moto, atravessou a faixa, continuou desequilibrado e, chegando próximo à mureta do lado esquerdo, pulou. Segundo o motorista, a vítima pode ter pulado por instinto, para evitar a colisão, mas acabou caindo do viaduto. 

Durante os debates, o promotor José Geraldo de Oliveira disse aos jurados que o réu não possuía carteira de motorista e que havia marcas na mureta do viaduto por cerca de 10 metros, resultado da pressão sofrida pelo outro condutor e dos empurrões realizados pelo réu, inclusive com o pé. 

O promotor citou depoimentos de testemunhas, registrados na fase de investigação policial, que informavam ter havido discussão prévia entre os dois, desde o bairro Lagoinha. 

Já a defesa insistiu na versão da testemunha espontânea e contestou a denúncia, baseada no depoimento de uma mulher que não compareceu à sessão da última sexta. Para a defesa, a promotoria deveria insistir no depoimento em juízo dessa testemunha. Como ela faltou, a defesa afirmou ter ficado impedida de interpelá-la sobre o que disse ter visto.

A defesa ficou a cargo dos advogados Erika Cristina Diniz Gomes, José Henrique dos Santos, Maurício Lopes de Paula, Michel Wencland Reiss e Tarcísio Maciel Chaves de Mendonca.

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