Reivindicando a volta dos cobradores em ônibus de Belo Horizonte, motoristas prometem cruzar os braços na capital. O movimento começou ontem, na Estação BHBus do Barreiro, prejudicando quem precisou do serviço de transporte. Nos próximos dias, os protestos devem chegar às plataformas Diamante, Venda Nova, São Gabriel e Pampulha.

A manifestação ocorreu após denúncias de que coletivos convencionais que partem do terminal do Barreiro estariam trafegando sem agentes de bordo em horários não permitidos. Desde 2017, o Hoje em Dia tem mostrado a situação, que é mais recorrente na regional Venda Nova.

De acordo com uma lei municipal de 2012, a ausência do profissional só é liberada no período noturno e aos domingos e feriados. Porém, cenário diferente teria sido encontrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte (STTR-BH).

Diretor do órgão, José Márcio Ferreira afirma que os trocadores não estavam presentes em quase todos os veículos que saíam da estação Barreiro, o que motivou o impedimento da circulação das linhas. “As empresas estão tirando os cobradores durante o dia. Por isso, decidimos fazer a fiscalização”.

Diariamente, cerca de 38 mil passageiros utilizam a Estação Barreiro; plataforma é atendida por 25 linhas de ônibus

Efeitos

A retirada dos agentes de bordo tem trazido uma série de consequên-cias ao sistema de transporte público, alega a categoria. À frente do movimento “Volta Trocador”, Marcos Aurélio Soares, de 43 anos, diz ter abandonado o posto de motorista por conta do estresse pelo acúmulo de função. “Pleiteamos mais segurança durante a jornada”, reivindica.

Demitido há dez dias de uma empresa de ônibus que atende ao Barreiro, Josias Rodrigues, de 49, garante que irá mudar de profissão após uma década trabalhando como cobrador. “Vou fazer um curso para atuar como porteiro e tentar voltar ao mercado”.

Mais queixas

Enquanto empresas e funcionários travam uma longa batalha em torno do assunto, passageiros também reclamam. “É um caos. As viagens estão cada vez mais demoradas. Os motoristas sempre estão nervosos, e a gente corre bastante risco com essa dupla função deles”, critica a costureira Maria Barbosa, de 58 anos.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) garantiu que a retirada do agente de bordo acontece apenas em horários permitidos e linhas troncais e alimentadoras autorizadas. 

Também em nota, a BHTrans informou que os profissionais só podem estar ausentes nas linhas troncais do BRT e nos horários noturnos e domingos e feriados, “cuja movimentação de passageiros é mais baixa”. A autarquia reforçou que, de janeiro a outubro foram 7.973 autuações às concessionárias pela infração, contra 210 em todo o ano de 2017.