Motoristas dos táxis-lotação de Belo Horizonte reivindicam a implantação do sistema de bilhetagem eletrônica também nos veículos para manterem-se no páreo. O motivo é a perda de usuários para os ônibus – principalmente após a substituição do vale-transporte de papel pelo cartão, já que os veículos só aceitam dinheiro. Na avenida do Contorno, a frota já caiu pela metade (passou de 28 para 14 carros).

A Associação dos Motoristas de Táxi-Lotação de Belo Horizonte (AMTLBH), criada em outubro do ano passado, conseguiu avançar nas negociações junto à BHTrans, mas ainda aguarda os resultados do estudo de viabilidade técnica e econômica feito em 2014 pelas empresas do consórcio que opera o cartão BHBUS.

“Ainda não sabemos os valores, mas temos conhecimento de que não fica cara a implantação do sistema, que será custeada pelos próprios permissionários dos táxis”, afirma o presidente da AMTLBH, Antônio Carlos Alves Sena.

Expectativa

Segundo ele, os aparelhos serão locados e deverão custar, em média, 11,8% do faturamento obtido com as viagens feitas no mês, tomando por base os preços dos ônibus suplementares. “Como o volume de passageiros será maior, possivelmente o dobro, uma coisa compensará a outra. Vamos atrair mais clientes e ter uma rentabilidade maior. Isso será devolvido por meio de veículos maiores e com mais conforto”, diz Sena, garantindo que não haverá repasse no valor da tarifa, fixada atualmente em R$ 3,40.

Segundo o vereador Professor Wendel (PSB), que apoia os taxistas, em reuniões realizadas com representantes da BHTrans, foi atestada a possibilidade de adoção do sistema nos táxis-lotação da capital.

“Eles afirmaram que não existem empecilhos. A previsão é que, ainda neste ano, haja a implantação dos equipamentos. Dependemos apenas do retorno das empresas que fizeram os testes, o que deve acontecer neste mês ou, no mais tardar, no início de fevereiro”, adianta o vereador.

Em nota, a BHTrans confirmou que recebeu a solicitação de representantes dos condutores de táxi-lotação da cidade. “A proposta está em estudos nos aspectos operacional, jurídico e de viabilidade econômica”, diz o texto da autarquia de trânsito de BH.

 

Serviço perde espaço para ônibus na avenida do Contorno

Criado há 14 anos, o serviço de táxi-lotação de Belo Horizonte funciona em dois pontos da cidade: nas avenidas do Contorno e Afonso Pena. No primeiro corredor, porém, a iniciativa vem perdendo espaço para os ônibus da linha circular, que têm tarifas mais baratas (R$ 2,20) e ganham a preferência dos usuários.

Na avenida Afonso Pena, a situação é melhor para os permissionários, em função da demanda da região. Apesar de concorrer com a linha de ônibus 104 (tarifa R$ 2,20),cujo itinerário assemelha-se ao do táxi-lotação, o volume de veículos oferece mais rapidez no atendimento aos passageiros.

“Como são muitos carros, toda hora passa um. Nossa clientela já é fiel e prefere o conforto e a agilidade que oferecemos. Assim, o ônibus não é um problema”, afirma o presidente da Associação dos Motoristas de Taxi-Lotação de Belo Horizonte (AMTLBH), Antônio Carlos Alves Sena.

 

Expansão

De acordo com ele, a implantação da bilhetagem eletrônica nos veículos – reivindicada há anos – seria mais um facilitador e poderia, inclusive, incentivar a ampliação do serviço a outras localidades da cidade.

“Essa expansão precisa ser uma demanda da própria população. Dando certo a cobrança por meio do cartão eletrônico, as pessoas vão acabar forçando o poder público a implantar esse sistema em outras rotas”, defende Sena.

No ano passado, o vereador Professor Wendel (PSB) esteve à frente de várias audiências públicas para reivindicar à BHTrans a implantação do sistema nos táxis. Segundo ele, caso as negociações não sejam retomadas com as empresas do consórcio que operam o cartão BHBUS, responsáveis, também, pelos estudos nos carros, nova audiência será feita no próximo mês.

“Já sabemos que é algo totalmente possível, porque há um aparelho específico que já foi testado. Agora, depende somente de boa vontade política”.