Sem acordo com a empresa Saritur, os motoristas de ônibus de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, decidiram manter pelo menos até o fim do dia a greve deflagrada na manhã desta segunda-feira (8). Ao todo, cerca de 100 funcionários da empresa participaram do ato em frente à sede e, no início desta tarde, eles decidiram que só voltarão ao trabalho na terça-feira (9). O movimento foi desencadeado por um corte no benefício tíquete-alimentação exclusivamente no período das férias, medida que foi anunciada em junho pelas empresas do sistema metropolitano de transporte. Os trabalhadores deram prazo de uma semana para a empresa se posicionar. Se isso não ocorrer, eles podem voltar a parar na próxima segunda-feira (15). 

O Hoje em Dia conversou com o advogado Rômulo Paturnia, representante dos motoristas, que relata que os trabalhadores se sentaram em três ocasiões com representantes da empresa, sem chegar a um acordo. "Não quiseram nem conversa. Como estamos temendo por demissões, decidimos continuar com a paralisação só por hoje. Vamos dar uma semana para a empresa se posicionar. Se isso não ocorrer, na semana que vem voltamos a parar", afirmou.

Ele conta que a empresa opera atualmente 30 linhas, tanto internas de Vespasiano como as do Move Metropolitano, o que representa cerca de 95% do transporte do município. "Com a nossa paralisação, todos os ônibus intermunicipais que vão de Vespasiano para BH ficaram parados. Pelo menos a volta para casa da população nesta segunda será prejudicada", pontuou. 

Nota do Sintram

Mais cedo, a reportagem procurou a Saritur, que informou apenas que o posicionamento seria dado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), uma vez que outras empresas também estão envolvidas no corte de benefício. Por meio de uma nota, a entidade que representa as empresas de transporte atacou a manifestação, afirmando que trata-se de uma paralisação ilegal, uma vez que a empresa não foi informada com antecedência e também por não haver cumprimento de escala mínima. 

Além disso, o sindicato afirmou que o protesto é baseado em informações inverídicas divulgadas via WhatsApp e que já foram desmentidas pelo Sintram. "Essa paralisação ilegal não foi orquestrada pelo sindicato representante da categoria, mas sim por iniciativa de opositores e, por isso, o Sintram e as empresas operadoras dos serviços não se envolverão em disputas de poder de lideranças sindicais e não negociarão com grupos sem representatividade legal", argumenta, finalizando com a afirmação de que o movimento é uma "tentativa de um grupo de assumir o poder dentro do sindicato". 

Categoria responde nota

Questionado sobre as acusações feitas na nota divulgada pelo Sintram, o advogado Rômulo Paturnia reafirmou que o movimento é espontâneo dos trabalhadores, não tendo qualquer relação com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de BH e Região Metropolitana (STTRBH). "A gente não reconhece o atual sindicato como representante da categoria", reclama. 

Ele questionou ainda a afirmação dada pelas empresas de que o ato seria motivado por notícias falsas. "Eles tentam desesperadamente justificar os erros com a desculpa de fake news. Mas os trabalhadores já estão sentindo no bolso o corte do tíquete-refeição.", aponta o advogado. 

Ainda segundo ele, a manifestação é popular e legal. "Inclusive a gente não impediu ninguém que quis trabalhar e a Polícia Militar (PM) esteve presente. Não houve confrontos e, mesmo assim, ainda conseguimos atingir a totalidade dos motoristas. Isso ocorreu por conta da insatisfaçao da categoria", finalizou. 

Procurado, o assessor do STTR-BH, Luciano Gonçalves, explicou que o movimento não teve participação da entidade. "A gente não tinha instrumentos legais para fazer uma greve responsável e garantir a segurança dos trabalhadores. Eles fizeram a greve por conta própria, sem se resguardar", disse. 

Entretanto, ele questionou a afirmação do Sintram de que o movimento foi baseado em fakenews. "A revolta maior é pela decisão das empresas de cortar o tíquete-alimentação nas férias, que não era um benefício convencionado e foi realmente retirado. Mas, como nós não estamos na época da database, que é em outubro, não havia dispositivo legal para deflagrar uma greve. Realmente tivemos fake news que contribuíram para essa revolta, mas falando que a categoria perderia o plano de saúde dos dependentes", pontuou Gonçalves. 

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