O talude norte da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, registrou, neste domingo (16), movimentação recorde. Balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros mostra que a estrutura está se movendo 56 centímetros ao dia, em média. A maior desde o início dos registros.

O último dado divulgado era de 3 de junho e mostrava deslocamento de 41,7 centímetros por dia. Uma provável queda abrupta do talude poderia abalar a barragem Sul Superior, administrada pela Vale, distante cerca de 1 quilômetro da estrutura. 

Em risco desde março deste ano, a situação na cidade da região Central mineira chegou a ser mais desesperadora no mês passado, quando foram apontados os riscos com a provável queda do talude sobre a mina. Simulados foram feitos e famílias precisaram deixar as casas por conta do risco. Além de Barão de Cocais, as cidades de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo poderiam ser atingidas com os rejeitos. 

Nas três cidades, a população que precisará ser retirada de casa para não ser levada pela lama ultrapassa 10 mil pessoas. Todos esses municípios já passaram por simulados de evacuação para saber para onde correr em caso de rompimento da barragem.

Estragos

No início deste mês, o coronel Evandro Borges, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Estado de Minas Gerais (Cedec-MG), informou que o órgão permaneceria em Barão de Cocais por tempo indeterminado e que estudos estavam sendo feitos para identificar os prováveis estragos nos municípios. 

"Hoje, a expectativa é que pode romper (a barragem). Isso é certo, há possibilidade real. Mas, como vai se dar, não temos elementos técnicos para afirmar", afirmou à época. Segundo ele, pode ser que parte do talude fique acondicionado dentro da cava, sem que haja maiores danos, como extravasamento da água. 

Mas, conforme o coronel, também existe a possibilidade de que um desabamento cause uma vibração que sirva de gatilho para o rompimento da barragem. "Estamos trabalhando com o pior cenário para salvar vidas", disse.