O nível de deslocamento do talude norte da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas, aumentou em relação a última medição feita pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e, em alguns pontos isolados, atinge 28,4 centímetros (cm) por dia. Na média, a velocidade de deformação em todo o paredão é de 24,3 cm/dia. Os índices foram divulgados nesta quinta-feira (30) pela ANM. Na quarta-feira (29), a movimentação era de 23,9 cm com pico de 26,5 cm.

Imagens registradas durante um voo de helicóptero feito sobre a mina mostram o tamanho das trincas que atingem o talude da cava, que corre o risco de desabar e desencadear o rompimento da barragem Sul Superior.  Assista abaixo:


A queda do talude pode acontecer a qualquer momento, mas a Defesa Civil e a Vale, responsável pela represa de minério, já trabalham com a hipótese de que haja um carreamento de terra para dentro da cava e uma acomodação do material, evitando um rompimento brusco.

Perigo

A grande preocupação com o desabamento do talude é de que a vibração causada seja suficiente para romper a barragem de rejeitos Sul Superior da mina, que fica a 1,5 quilômetro (km) da cava. Caso isso ocorra, em cerca de cinco minutos o distrito de Barão de Cocais mais próximo da estrutura pode ser atingido.

Neste cenário, o mar de lama provocaria a devastação de parte do município e de outras duas cidades vizinhas - Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Nas três cidades, a população que precisará ser retirada de casa para não ser levada pela lama ultrapassa 10 mil pessoas. Todos esses municípios já passaram por simulados de evacuação para saber para onde correr em caso de rompimento da barragem.

A Defesa Civil disse que está preparada para agir, caso haja rompimento da barragem Sul Superior, que está no nível 3 desde março – ou seja, com risco iminente de rompimento. A Vale frisou que tanto o talude quanto a barragem são monitorados 24 horas por dia e as previsões são revistas diariamente.

Risco

A barragem Sul Superior teve nível de segurança elevado a 3, que indica risco iminente de ruptura, em 22 de março. No dia 13 deste mês, a Vale informou às autoridades que o talude da mina da represa poderia desmoronar, ocasionando abalo sísmico que poderia fazer com que a Sul Superior se rompesse.

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