Uma mobilização do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA) e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) conseguiu evitar o sacrifício de 22 animais que estão sob tutela da Vale. Com o risco de rompimento na barragem de Gongo Soco, em Barão de Cocais, que pertence à mineradora, a Vale havia assumido, em maio deste ano, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o compromisso de resgatar e cuidar de todos os animais domésticos e silvestres que ainda estavam nas áreas de risco

No entanto, conforme explica a coordenadora do MMDA, Adriana Araújo, a empresa havia conseguido, sem mencionar o TAC, autorização do Ibama para o abate de 22 javaporcos saudáveis. A espécie é híbrida, proveniente do cruzamento entre o porco doméstico e o javali. 

"Recentemente, a Vale recorreu diretamente ao Ibama para que estes animais fossem mortos. Em primeiro momento, a eutanásia foi autorizada, no entanto, o Ministério Público recorreu desta decisão e o Ibama reviu o posicionamento e determinou que os animais não fossem eutanasiados", detalha. 

Atualmente, os javaporcos, que são dóceis, estão saudáveis e não apresentam perigo à população, segundo Adriana, continuam sob tutela da Vale em uma área da empresa em Barão de Cocais, sendo as fêmeas separadas dos machos para que não haja reprodução entre eles. 

JavaporcoSegundo o MMDA, os javaporcos são animais dóceis e não representam perigo para a população 

"O MMDA defende que estes animais sejam castrados e que tenham o seu bem estar e sua segurança garantidos. É importante lembrar que essa espécie foi gerada por uma intervenção humana. Os javalis não pertencem à fauna nativa brasileira e foram trazidos da Europa para serem introduzidos na nossa culinária, porém, não houve aceitação da população. Por descuido acabou-se gerando a espécie de javaporcos, que são vítimas da irresponsabilidade humana e acabaram se tornando uma espécie estigmatizada", conclui. 

Procurados pela reportagem, a Vale e o MPMG ainda não emitiram posicionamento sobre o caso. 

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