MONTES CLAROS – As denúncias de maus-tratos e torturas na comunidade terapêutica Resgatando Vidas levantou a polêmica sobre a falta de local adequado para tratamento de adolescentes e mulheres viciados em drogas e álcool no Norte de Minas. Isso tem obrigado a Vara da Infância e Juventude a autorizar a internação de menores em locais destinados a adultos.

A dona de casa I., mãe de F., de 16 anos, disse que internou o filho por seis meses na comunidade apenas quando esgotou todas as possibilidades. A servidora pública M., do bairro Santos Reis, também internou o filho L., de 16 anos, na clínica por falta de opção. Mas ela não quis falar sobre o assunto.

O promotor José Aparecido Rodrigues, coordenador regional da Infância e Juventude do Ministério Público, afirmou que o Estado e o município têm de encontrar um local para abrigar os adolescentes viciados em drogas para tratamento. Ele disse que o desespero dos pais pela falta de locais tem provocado a situação excepcional de internação em comunidades terapêuticas que atendem adultos. Porém, isso não será mais permitido.

Foragido

A Justiça mandou recolher, na última quinta-feira (24), ao presídio de Montes Claros, o dependente químico Edno Ricardo Lima e Rocha, que na quarta-feira denunciou maus-tratos e tortura a pessoas internadas na Resgatando Vidas. Edno estava condenado por roubo a mão armada, em processos que tramitam nas Varas Criminais, mas tinha obtido o beneficio de trabalho externo e ser internado em comunidade terapêutica. Na última quinta-feira (24) à tarde ele foi transferido para o Presídio Alvorada.

As denúncias de Edno Ricardo tiveram repercussão nacional, pois ele aproveitou que sua mãe, Maria Oliveira, foi levar produtos de higiene e pediu a ajuda dela para sair da comunidade terapêutica e ser levado a outra instituição. Em seguida Edno foi levado pelos monitores para dentro da comunidade e os repórteres ouviram uma gritaria, quando um cinegrafista flagrou ele sendo arrastado pelo pescoço por monitores.

A Ordem dos Advogados do Brasil e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal tinham programado visitar Edno para ver se ele foi agredido depois das denúncias. Porém, na última quinta, a concessão do beneficio que ele tinha adquirido via judicial foi suspensa.

O advogado Dwilio Lopes Rocha anunciou que ocorreu um mal-entendido e por isso, estará requerendo nesta sexta na Vara das Execuções Penais que Edno seja internado em outra comunidade terapêutica.