Após a condenação de Calixto Luedy Filho a 195 anos pelo crime conhecido como Chacina de Felisburgo, na última segunda-feira (13), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) anunciou que requeriu à Justiça o deslocamento do julgamento dos demais acusados para Belo Horizonte. Ainda faltam outros dez réus a serem julgados pelos crimes cometidos no município localizado no Vale do Jequitinhonha. 

Quinto réu condenado pela Justiça pela chacina ocorrida em novembro de 2004, Calixto recebeu a pena pelo homicídio de cinco pessoas, tentativa de homicídio de outras 12, por formação de quadrilha e por atear fogo em casas e escola. O deslocamento do julgamento para Belo Horizonte foi requerido pelo MP, em trabalho articulado pelo Centro de Apoio Operacional especializado na área de conflitos agrários, para garantir a imparcialidade e a segurança dos envolvidos.

Segundo o procurador de Justiça Afonso Henrique de Miranda Teixeira, quando houve a chacina, logo foram identificados 16 agentes que participaram do crime, entre eles, o fazendeiro Adriano Chafik. “Já foram julgados cinco destes; outros 10 ainda serão julgados. Já obtivemos o desaforamento de outro júri para o julgamento de mais um corréu”, afirmou.

No julgamento, o Ministério Público ressaltou que um dos condenados pela chacina, o fazendeiro Adriano Chafik, entrou na época com ação de reintegração de posse contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que haviam invadido a fazenda. Chafik perdeu a ação e as terras foram demarcadas em favor dos assentados.

Dessa forma, inconformado com a derrota jurídica, Chafik reuniu 14 homens, que começaram a ameaçar os assentados, até que, em novembro de 2004, ordenou e liderou o ataque ao acampamento.

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