Poderá ser suspensa, a qualquer momento, a eleição para a escolha do nome do segundo gorila nascido em cativeiro na América do Sul. Uma recomendação para o cancelamento da votação foi divulgada nesta segunda-feira (15), pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O documento já está nas mãos da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte.
 
A recomendação se baseia em pedido feito em 9 de dezembro, pelo Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod). Segundo a assessoria do MP, a ONG julga como racista os nomes apresentados. As sugestões são: Ayo, que significa "felicidade"; Bakari, "o que terá sucesso"; e Jahari, "jovem forte e poderoso".
 
Ainda conforme o MP, a ONG afirma que as opções seriam nomes muito usados em descendência africana "e estariam causando desconforto em crianças de Belo Horizonte". A recomendação  foi expedida na última sexta-feira (12), para a suspensão da eleição ou, alternativamente, a substituição dos nomes por outros que não contenham origem africana.
 
Em nota, o MP informou que a representação do Insod diz ser “inaceitável a postura da Fundação, no sentido de vincular um ícone histórico de racismo – o macaco – a nomes de origem africana, com o intuito, segundo a Fundação, de fazer homenagem à origem africana do animal, sem levar em consideração a magnitude dos danos aos grupos étnicos-raciais diretamente atingidos”.
 
Segundo as promotoras de Justiça Nívia Mônica da Silva e Cláudia Amaral Xavier, que assinam a recomendação, “muito embora bem intencionada, a votação pode atuar em sentido contrário ao pretendido: ao invés de prestar uma homenagem ao continente africano, contribuirá, por certo, para a perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”. 
 
A prefeitura de BH informou que ainda vai se pronunciar sobre o caso. Por enquanto, ninguém da ONG foi localizado para comentar o assunto.
 
* Atualizada às 18h20