O Ministério Público Federal (MPF) informou na noite desta segunda-feira (28) que recorreu da decisão que a prisão preventiva de Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos, denunciado pelos crimes de preconceito, divulgação do nazismo e corrupção de menor. Donato Di Mauro, como é conhecido, ficou conhecido depois de postar uma foto no Facebook em que enforcava um morador de rua, na Savassi.

Ele deixou a Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, onde estava preso desde o dia 14 de abril, na quarta-feira (23) por meio de alvará de soltura concedido pela juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 9ª Vara.
 
Em sua decisão, a magistrada acatou os argumentos da defesa de que Donato tem residência fixa, emprego garantido, não responde por outros processo e de que estaria sofrendo ameaças na penitenciária. No entanto, segundo o MPF, a decisão deve ser reformada pelo Tribunal Regional Federal, porque não se sustentam os argumentos acatados em favor do réu.
 
Para o órgão, o skinhead foi agredido logo após sua prisão, quando ainda estava no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) São Cristóvão, na capital, onde dividiu cela com outros 30 detidos. "Portanto, tem-se que, ao contrário do sustentado pela MMa. Juíza Federal, não se configurou a impossibilidade do Estado de garantir a integridade física e moral do preso. Ao contrário, foram tomadas medidas assecuratórias no sentido de evitar novas ofensas ao recorrido, consistentes na transferência para estabelecimento prisional com melhor estrutura e alocação em cela individual, localizada em anexo destinado a presos em situação de risco”, afirma o recurso.
 
Além disso, o MPF argumenta que a prisão de Donato é necessária para garantir a instrução criminal e a aplicação da lei. O órgão lembra que o réu deletou sua conta no Facebook "com a clara intenção de desfazer as provas contra si mesmo" e fugiu para São Paulo.
 
O MPF contesta ainda o argumento de que o skinhead não teria outros processo criminais, já que responderia pelo crime de ameaça, que o processo corre na Justiça Estadual. O recurso também informa que Donato faz parte de uma organização racista denominada “Skinheads White Power”, que prega a discriminação, intolerância e violência contra negros, homossexuais, judeus, nordestinos e outras minorias.