O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) informou nesta quarta-feira (12) que recebeu uma denúncia de que funcionários da Vale estariam ajudando nas buscas por vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho, trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros. O órgão anunciou que o procurador Geraldo Emediato de Souza determinou a abertura de inquérito para investigar a denúncia.

A mineradora nega a acusação. De acordo com a Vale, nenhum de seus funcionários auxiliam a corporação nas atividades de busca na área afetada pelo rompimento da Barragem 1 da mina Córrego do Feijão, ocorrido no dia 25 de janeiro.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, durante as operações de manejo do minério, há funcionários da Vale operando equipamentos como caminhões de transporte, escavadeiras e pás carregadeiras, acompanhados sempre de bombeiros militares. "Todavia esses funcionários não tem nenhum tipo de contato com corpo ou segmento corpóreo. Durante esse manejo, caso seja detectado algum indício de localização, o bombeiro militar, que acompanha a operação de cada máquina em tempo integral, determina a interrupção da operação da máquina e aciona a equipe de intervenção para buscar o local, não havendo nenhum tipo de participação ou de acompanhamento pelo funcionário nesse processo", diz a corporação. 

De acordo com o MPT, somente durante a instrução do inquérito é que serão recolhidos documentos, depoimentos e provas que poderão demonstrar ou não os fatos descritos na denúncia. Somente após a apuração, é que é que a atuação poderá ser definida.

Já a Vale explicou que os empregados que manifestaram desejo de retornar à rotina de trabalho foram acolhidos por uma equipe de profissionais especializados nas áreas da saúde e segurança. Apenas retornaram os funcionários que estavam aptos clinicamente, segundo a mineradora. A empresa informou ainda que também disponibiliza psicólogos nos locais para acompanhamento constante.

Até o momento, 246 corpos de vítimas da tragédia em Brumadinho foram identificados, enquanto outras 24 pessoas permanecem na lista de desaparecidos. 

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