O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga um acidente no transporte de carbonato de níquel, que matou uma pessoa e intoxicou outros oito trabalhadores, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo o órgão, cinco empresas são acusadas como responsáveis pelo caso, ocorrido em 31 de outubro deste ano.
 
Segundo o MPT, 14 trabalhadores foram contratados para fazer o transbordo da carga em pó, após um acidente em 23 de outubro, com um caminhão tombado na BR-153, próximo a Centralina. O material foi levado para um galpão em Uberlândia. Cinco dias depois, o produto foi repassado para outro veículo. Em 31 de outubro, os operários começaram a apresentar graves sintomas de intoxicação. Oito deles precisaram ser internados e um deles morreu.
 
As cinco empresas envolvidas foram acionadas judicialmente pelo MPT, sendo a Votorantim Metais, a Pamcary Seguradora, a Aqces LoGística, a Suatrans Emergência e a AGT Armazéns Gerais e Transportes Ltda.. O MPT informou que os trabalhadores denunciaram não serem informados sobre a natureza da carga manuseada, além de não receber Equipamento de Proteção Individual (EPI), treinamento para a atividade ou orientação sobre segurança.
 
O MPT já conseguiu duas liminares determinando que as empresas custeiem medicamentos e exames clínicos e laboratoriais para os trabalhadores, bem como a contratação de um médico toxicologista e um assistente social para assistência às vítimas e suas famílias.
 
Segundo a procuradora Karol Oliveira, “não há médico toxicologista nas UAIs, nem no Hospital de Clínicas de Uberlândia, conforme informado pelo CEREST e Departamento de Vigilância Epidemiológica de Uberlândia”. Ela ainda disse que “dada a gravidade dos casos, é imprescindível um profissional qualificado examine cada trabalhador e produza laudos de cada vítima. Também foi requerida a contratação de assistente social, para acompanhamento e interface com as empresas dentre outras medidas", explica a procuradora.
 
Respostas
 
A reportagem entrou em contato com as empresas acusadas pelo MPT de serem os responsáveis pelo acidente. A Votorantim Metais, em nota, lamentou o acidente e informa que ainda está apurando informações detalhadas sobre a ocorrência. “A empresa reitera seu compromisso e disposição para contribuir com as autoridades competentes”.
 
Posição parecida teve a Suatrans Emergência, que também lamentou o incidente, “salientando que todos os esclarecimentos serão devidamente prestados perante a Justiça do Trabalho”, informou em nota.
 
O advogado da Pamcary Seguradora, Carlos Eduardo de Oliveira Marques, informou que o processo está em curso sob sigilo e que não poderia prestar informações sobre o caso. Ele se limitou a dizer que a empresa apura o acidente, está fazendo diligências para minimizar os prejuízos e presta as informações requisitadas ao MP.
 
A reportagem tentou contato com a Aqces Logística e AGT Armazéns Gerais e Transportes Ltda., mas sem sucesso.