Cerca de 80 trabalhadores rurais do Movimento dos Sem Terra promovem um protesto, na manhã desta terça-feira (20), em Belo Horizonte. Logo no começo do dia eles se concentraram em um terreno às margens do Anel Rodoviário, no bairro São Francisco, na região da Pampulha).

Em seguida, eles iniciaram uma passeata até a portaria do Fórum Lafayette, na região Centro-Sul da capital, para tentar impedir novo adiamento do júri de Adriano Chafik, acusado de ser o mandante da "Chacina de Felisburgo".

A Polícia Militar acompanha os manifestantes, que sequiram pela avenida Antônio Carlos e devem acampar na porta da Assembleia Legislativa, após sair do protesto no Fórum. Por causa do protesto, o trânsito em toda a região Central está complicado. A situação nas ruas e avenidas ficou ainda pior por causa de obras e alterações no tráfego.

Nesta quarta-feira (21), os trabalhadores prometem voltar para a portaria do Fórum, quando acontecerá o julgamento do fazendeiro, marcado para às 8h30.

Por questões de segurança e imparcialidade dos jurados, a sessão foi transferida de Felisburgo para Belo Horizonte.


Entenda o caso

A chamada Chacina de Felisburgo ocorreu em 20 de novembro de 2004, quando 17 homens invadiram o acampamento Terra Prometida, na Fazenda Nova Alegria, e atearam fogo em barracos e plantações.

Além das cinco vítimas executadas com tiros à queima-roupa - Iraguiar Ferreira da Silva, de 23 anos, Miguel Jorge dos Santos, de 56, Francisco Nascimento Rocha, de 72, Juvenal Jorge da Silva, de 65, e Joaquim José dos Santos, de 48 - 20 pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança de 12 anos.

O crime foi a segunda maior chacina de sem-terra no País, atrás apenas dos assassinatos de 19 trabalhadores por policiais militares em Eldorado dos Carajás (PA), em abril de 1996.