Um estudo, contratado pela assessoria jurídica da Vale e feito por especialistas para analisar as causas da tragédia em Brumadinho, apontou como causa do rompimento a liquefação dos rejeitos, ou seja, mudança do estado físico do material, que de sólido passou a se comportar como líquido. Esta também foi a causa apontada para o desastre em Mariana, quando uma barragem da Samarco se rompeu em Bento Rodrigues.  

"O material depositado na barragem mostrou uma súbita e significativa perda de resistência e rapidamente se tornou um líquido pesado que escorreu a jusante em alta velocidade. Os vídeos mostram que a superfície de ruptura inicial foi relativamente rasa e foi seguida por uma série de deslizamentos rápidos e rasos com taludes íngremes que progrediram para trás até os rejeitos. Com base nestas observações, fica claro que o rompimento foi resultado da liquefação estática dos materiais da barragem", diz o documento. 

O estudo também mostra que o colapso do talude aconteceu em menos de 10 segundos com 9,7 milhões de metros cúbicos de material, cerca de 75% dos rejeitos armazenados que transbordaram da barragem em menos de cinco minutos. 

Além disso, o laudo divulgado nesta quinta-feira (12) também aponta alguns gatilhos que podem ter ajudado a desestabilizar a estrutura, como a carga por fadiga - detonações repetidas -, erosão interna, carregamento rápido (construção ou lançamento de rejeitos), aumento dos níveis de água no solo e interação humana. 

O relatório concluiu que "a perda de resistência significativa e repentina indica que os materiais retidos pela barragem apresentavam comportamento frágil". 

O rompimento da barragem da Vale em Córrego do Feijão deixou mais de 250 mortos. Até o momento, 257 vítimas foram identificadas e outras 13 continuam desaparecidas. 

Por meio de nota, a mineradora Vale informou que, "após receber o resultado do Painel de Especialistas, e em linha com seus contínuos esforços em cooperar com as investigações das autoridades competentes, a Vale vai fornecer cópias do relatório e seus anexos às autoridades públicas.  A  companhia também fornecerá cópias do documento às empresas de consultoria e auditoras externas envolvidas no acompanhamento das barragens da empresa". (Leia nota completa abaixo)

Nota da Vale

  • "A Vale recebeu, no dia 12 de dezembro, o relatório final do Painel de Especialistas, com as suas conclusões a respeito das causas técnicas do rompimento da barragem B1, da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.  A Vale reforça que desde janeiro, imediatamente após o rompimento da barragem B1, tem realizado uma ampla e detalhada investigação técnica em todas as suas estruturas, com natural foco nas barragens a montante que, em tese, são susceptíveis ao risco de liquefação. Este trabalho preventivo incluiu a revisão de projetos originais, detalhamento do histórico de alteamentos e intervenções, elaboração de "AS IS", revisão de todos os elementos relacionados à segurança, como nível freático, condições e eficiência de sistemas de drenagem, a identificação de possíveis melhorias nos sistemas de monitoramento e avaliação de instalações a jusante de cada estrutura. Atualmente, 92 barragens são monitoradas 24 horas por dia a partir do Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG), criado em fevereiro, em Nova Lima (MG).
  • Prontamente após receber o resultado do Painel de Especialistas, e em linha com seus contínuos esforços em cooperar com as investigações das autoridades competentes, a Vale vai fornecer cópias do relatório e seus anexos às autoridades públicas.  A  companhia também fornecerá cópias do documento às empresas de consultoria e auditoras externas envolvidas no acompanhamento das barragens da empresa. 
  • A Vale reafirma os seus compromissos de colaborar ativa e plenamente com as investigações das autoridades competentes e prestar todo o apoio necessário às comunidades atingidas".

 

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