A barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu devido a mudança do estado físico dos rejeitos, que de sólido passou a se comportar como líquido. O fenômeno se chama liquefação e foi apontado pela Polícia Civil (PC) como motivo do desastre, que ocorreu em 5 de novembro do ano passado.

Segundo a Polícia Civil, que nesta terça-feira (23) apresentou a conclusão do inquérito sobre o rompimento, sete fatores teriam causado a falha, dentre eles a elevada saturação dos rejeitos arenosos depositados na barragem.

Durante a apresentação, o perito criminal da PC, Otávio Guerra, disse que a taxa de alteamento da barragem estava muito elevada, "acima dos padrões normais". Ele deu o exemplo de que, em 1º de outubro do ano passado, a taxa estava em 898 metros. Vinte e seis dias depois (em 27 de outubro), o número passou para 900 metros. Na ponta do lápis, significa um alteamento de dois metros em menos de um mês.

Segundo Guerra, houve falha no monitoramento feito durante os alteamentos. Outro erro grave é o de que equipamentos estavam inoperantes. Chamados de piezômetro, os aparelhos não estavam medindo a capacidade de água e rejeitos na barragem. No total eram 44, sendo 16 automáticos e 28 manuais. O número com que apresentou deficiência de leitura não foi informado.

Investigação

O inquérito durou três meses e meio, possui 13 volumes, 2.432 páginas e cerca de 100 oitivas. Segundo a polícia, o rompimento da barragem liberou aproximadamente 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente.

Os laudos apontaram que as 17 vítimas morreram por asfixia por soterramento, afogamento e politraumatismo. Duas pessoas permanecem desaparecidas. Outro inquérito em curso na Polícia Civil apura os danos provados ao meio ambiente.
 

Indiciamento

Seis diretores e gerentes da Samarco, além de um engenheiro da VogBr, foram indiciados pelo rompimento da barragem e tiveram a prisão preventiva solicitada pela Polícia Civil. Eles vão responder por crimes contra a vida, o meio ambiente, a incolumidade e a saúde pública.

Tragédia

Com o rompimento da barragem, ocorrido em dia 5 de novembro de 2015, o distrito de Bento Rodrigues foi devastado. Outros distritos e cidades também foram destruídos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais 725 pessoas ficaram desabrigadas, 17 morreram e dois permanecem desaparecidos.

*Com informações de Renato Fonseca