Uma atividade doméstica corriqueira tornou-se motivo de tensão para a aposentada Cibele Novaes, de 54 anos. Molhar o jardim em frente de casa, no bairro Belvedere, região de classe média alta de Belo Horizonte, só acompanhada de um vigia.

O comportamento da moradora é resultado da insegurança generalizada na zona Sul da capital. Casas, apartamentos e o comércio são alvos de criminosos de olho em dinheiro, eletrônicos e joias.

No ano passado, a PM registrou 2.293 arrombamentos a residências em Belo Horizonte, ou mais de seis por dia. Somente nos dois primeiros meses deste ano, foram 475 ocorrências, média de oito por dia.

Na segunda-feira, a PM prendeu, em flagrante, um trio que invadiu uma casa no Belvedere e torturou um norte-americano de 60 anos. A ação da polícia poderia representar um alívio à população, uma vez que os criminosos agiam em vários bairros da capital. Porém, na terça-feira (30) de madrugada, outros três homens invadiram um prédio de luxo no Vila da Serra, bairro de Nova Lima (RMBH),  vizinho ao Belvedere.

Eles renderam uma dentista, que chegava de carro, e o porteiro. Ambos foram obrigados a seguir até o apartamento da vítima, onde o restante da família dela (três filhos pequenos e o marido) também foi rendida. Todos ficaram trancados no banheiro enquanto o bando recolhia objetos de valor e dinheiro.

Os criminosos obrigaram a dentista e o porteiro a entrar no porta-malas do carro dela, depois abandonado no distrito de Macacos. Pedestres ouviram os gritos e socorreram as vítimas. Ninguém foi ferido.


Guarita

Com a violência disseminada e sem a efetividade esperada da Polícia Militar, cada um “paga” por segurança como pode. Em uma das ruas do Belvedere, que conta inclusive com guarita e vigilância particular 24 horas, uma moradora, que pediu para não ser identificada, atendeu a reportagem pelo interfone.

O medo é tão grande que, além da presença de um segurança de prontidão, a casa também tem cerca elétrica, câmeras e alarme. “Infelizmente, por causa da crescente violência na região, fomos obrigados a mudar nossa rotina. Enquanto os bandidos estão soltos, nós ficamos presos em casa”, reclama a moradora.

Proprietário de um restaurante, Chan An Wang, de 37 anos, guarda no bolso os contatos telefônicos de militares que fazem ronda na região. “São constantes os assaltos a moradores e lojistas no Belvedere. O bairro é grande e o efetivo policial não dá conta de tudo. Por isso, em caso de uma emergência, tenho como fazer contato mais rápido e, talvez, evitar o pior”.

Gerente de uma butique, Ilma Soares também tenta se prevenir contra a criminalidade que atormenta a região. “Na realidade, assalto não tem data marcada para acontecer. Mesmo assim, preferimos encerrar as atividades uma hora mais cedo, antes de escurecer”.

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