Alguns segundos de distração foram suficientes para que Bernardo, de apenas 1 ano e 2 meses, colocasse a própria vida em risco. Ao esbarrar no fogão, o pequeno levou um banho da água que estava fervendo para o cozimento do arroz.

“Fiquei distraída e não vi que ele passou pela porta da cozinha. O fogão estava com um pé em falso, exatamente onde o Bernardo encostou”, lamentou a dona de casa Michaele Suzane Ferreira de Souza Rosa, de 21, mãe do garoto.

Ele recebeu os primeiros socorros em Caetanópolis, na região Central de Minas, onde mora com a família. Depois foi transferido para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte. “Teve 12% do corpo queimado, mas poderia ter sido bem pior. De agora em diante, a porta da cozinha só vai ficar trancada”, diz Michaele.

Mudanças de comportamento como essa ajudam a salvar muitas vidas. Segundo estudo da ONG Criança Segura, 90% dos acidentes com crianças e adolescentes (até 14 anos) podem ser evitados.

A entidade atua disseminando três estratégias que provoquem tal mudança de comportamento. Além do alerta para a supervisão constante, pais ou responsáveis são orientados a fazer adaptações para tornar o ambiente doméstico mais seguro, como trancar a porta da cozinha ou instalar grades nas janelas.

A terceira estratégia é apontar a importância do uso de equipamentos de segurança: coletes salva-vidas na água, capacete para andar de bicicleta, skate ou patins e a cadeirinha nos automóveis.

“Conseguimos um grande avanço. Nos últimos 14 anos (2001 a 2014), a quantidade de óbitos diminuiu no Brasil. Porém, as internações aumentaram (de 2008 a 2015). Sinal de que, embora esteja acontecendo mais acidentes, eles estão menos fatais”, avalia a gestora de políticas públicas Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da Criança Segura.

Mais intoxicações

Em Minas, segundo o estudo feito pela ONG, a redução do número de mortes de pessoas com até 14 anos foi maior do que a registrada no país. Entre as causas, intoxicação foi a única que aumentou no comparativo entre 2001 e 2014.

Se comparadas à média nacional, as estatísticas de internações em Minas também foram menores, apesar do crescimento de 2008 a 2015. As quedas foram o principal motivo que levou as crianças e adolescentes aos hospitais, embora a maior variação tenha sido nos percentuais de afogamentos.

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Pediatras defendem novas regras para mais proteção no trânsito

Especialistas defendem mudanças na legislação para que crianças e adolescentes fiquem mais protegidos dos riscos de acidentes. Os de trânsito são os que mais matam pessoas com até 14 anos. Por isso, pediatras propõem alterações nas regras de transporte.

A legislação determina que crianças com até 10 anos sejam transportadas no banco de trás do automóvel. Para o Conselho de Segurança da Sociedade Mineira de Pediatria, o ideal é até os 13 anos.

Pela regra em vigor, cinto de segurança (de três pontos) deve ser usado por criança a partir dos 7 anos e meio. O Comitê, no entanto, destaca que o equipamento só é eficiente se o passageiro tiver mais de 1,45 metro de altura, independente da idade.

Parceria

A coordenadora nacional da ONG Criança Segura lamenta: “Em se tratando de políticas públicas para proteger as crianças de acidentes, não há muita coisa no Brasil. O que fazemos é buscar parcerias com o Ministério da Saúde”, diz a gestora de políticas públicas Gabriela Guida de Freitas. Muitas campanhas, como a contrária à venda de álcool líquido, surgiram dessa iniciativa.

 

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