Dayane é uma guerreira. Mesmo com reforços na prevenção à Covid-19, a grávida de oito meses contraiu a doença. "Eu me cuidava muito e, por isso, achei que era uma gripe". Não era. Dayane foi internada, com muito cansaço e sem ar, diretamente na UTI. Lá, teve a filha prematuramente e só a abraçou quatro dias depois. 

É com voz fraca e lenta, resquícios da enfermidade causada pelo novo coronavírus, que a babá, de 33 anos, contou um pouco da história dela à reportagem, por telefone. Dayane Oliveira explicou que a garganta ficou arranhada e o olfato e o paladar sumiram a partir da metade de março. Ela foi a uma UPA e, no dia 23, um exame confirmou a Covid.

Dias depois, o quadro piorou e ela retornou ao centro médico, com muita falta de ar e baixa saturação. Ela foi internada na UTI. A gestação era de risco devido ao diabetes gestacional. Ela contou que teve muito medo ao ver que estava em um quarto com pacientes intubados.

"Eu era a única acordada. Eles iriam me intubar, mas eu pedi, eu implorei para que não fizessem porque eu sabia que o parto da minha filha estava chegando. E eu queria ver, queria presenciar. Eu tinha medo de não sobreviver, de não voltar mais, de não vê-la", relatou, emocionada.

No dia 3 de abril, a bolsa rompeu. Como estava com uso de oxigênio para pode respirar devido à Covid, ela não tinha forças para um nascimento normal. "Minha intenção sempre foi ter um parto normal, me preparei para isso, para ver e viver aquilo. Pegar minha filha e amamentar", contou. Nada disso pôde ser feito, devido ao risco de contágio da doença causada pelo novo coronavírus.

Encontro

Apenas no dia 7, após a recém-nascida negativar para a Covid e terminar o prazo de isolamento de Dayane, é que mãe e filha, Ayla, puderam se ver. "Graças a Deus. Foi uma luta, uma prova que a gente conseguiu vencer", agradeceu. A menina veio ao mundo na 36ª semana de gestação, um mês antes do considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), na Maternidade da Unimed-BH, no bairro Grajaú, região Oeste de BH.

Nessa segunda-feira (12), veio a alta e o conforto de casa. Os desafios da guerreira-mãe e da pequena Ayla continuam. "Como não tive a aproximação com ela no parto, ela está com dificuldade de amamentar e eu de produzir leite. Eu tive uma inflamação na minha cirurgia de cesárea e ela teve icterícia", disse. 

Dayane contou que faz fisioterapia para melhorar a capacidade respiratória. Além do apoio divino, ela fez questão de agradecer à equipe do hospital. "Não fiquei só um minuto. Eles não me deixaram desistir de lutar porque você vê aquela situação toda, a gente entra em desespero".

A história de Dayane nos dá esperança de que, uma hora, tudo vai passar. A vacina precisa chegar. "Estamos bem, ela está saudável, estamos nos recuperando. O pós-Covid é lento, mas eu sei que vai ficar tudo bem", disse. E vai. Saúde e felicidade para Dayane e Ayla.

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