A Polícia Civil apresentou na manhã desta quarta-feira (1º), em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma mulher suspeita de mandar matar o próprio marido para receber o seguro de vida. 
 
Segundo a equipe de policiais civis do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o relacionamento conturbado, marcado por episódios frequentes de agressão física, levou a suspeita Maria Aparecida dos Santos, de 35 anos, de encomendar a morte do marido Alexandre Ferreira Eficácio, de 41.
 
Alexandre foi morto no dia 10 de outubro do ano passado, no bairro São Benedito, em Santa Luzia. De acordo com o delegado Christiano Xavier, que coordenou as investigações, Ronan Santos Gonçalves, conhecido como Mofado, invadiu a oficina em que Alexandre trabalhava e o executou com 13 disparos de arma de fogo, a mando de Maria Aparecida. 
 
Ronan, que cumpria pena por homicídio, foi liberado na manhã do crime em benefício de saída temporária, por decisão da Justiça. Ainda segundo Christiano Xavier, o suspeito é investigado em diversos inquéritos referentes a homicídio. 
 
O crime
 
Levantamentos da Polícia Civil indicam que a mulher teria planejado o crime visando receber o seguro de vida feito pelo marido, no valor de R$ 100 mil, no qual ela era a beneficiária. Logo após a morte de Alexandre, a mulher tentou resgatar o seguro, mas foi informada que a vítima estava inadimplente desde agosto de 2014. 
 
Durante declarações, Maria Aparecida, que negou participação no crime, relatou ter sido vítima de constantes agressões por parte do companheiro. Levantamentos revelam que Alexandre já possuía inúmeros registros de violência doméstica, inclusive contra outras ex-companheiras.
 
A suspeita ainda afirmou que já não tinha contato com Ronan há mais de 10 anos. No entanto, a Polícia tem conhecimento de conversas entre os suspeitos em que há cobranças frequentes de Ronan em relação a uma dívida. O delegado acredita que esse valor refira-se ao acordo realizado para execução do homicídio de Alexandre. 
Fraudes em seguros
 
O Chefe da Divisão de Investigações de Crimes Contra a Vida (DICCV), Luiz Flávio Cortat, ressaltou que, de acordo com a última pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida (CNseg), de 2010, houve um decréscimo de 24% no índice geral de propensão à fraude contra seguros no Brasil. "Em levantamento realizado pelo Centro de Inteligência e Análise da Divisão (DICCV) foram identificados quatro inquéritos cuja motivação dos homicídios fora a fraude em seguros ou a eles relacionados", destaca Cortat.