Quando postou em grupos do Facebook, no último domingo (21), um anúncio de faxina em troca de uma refeição, Ana Paula Oliveira não imaginou a repercussão que a atitude teria. Desde então, a belo-horizontina de 37 anos tem recebido dezenas de manifestações de solidariedade, vindas de pessoas que nunca conheceu pessoalmente.

“A resposta foi muito positiva, para a minha surpresa. Muita gente me ligou querendo me contratar pagando o valor da diária (pela faxina), uma designer repaginou o meu currículo e teve um espaço que me ofereceu roupas para dar uma repaginada no visual, para me sair bem nas entrevistas de emprego”, contou Ana, que recebeu também doações de alimentos.

Ana tem ensino médio completo, experiência em atendimento telefônico, na área administrativa e fez curso de informática. Ela trabalhou como cobradora numa empresa de telemarketing, mas desde 2013 não consegue emprego formal, com carteira assinada. A partir daí, vem trabalhando na informalidade. Já atuou como freelancer para pesquisas telefônicas, faxineira, ambulante e realizou vários tipos de “bicos” que apareceram.

“Sem especialização em uma área, é muito difícil conseguir emprego. Não tive condições de me profissionalizar e o mercado de trabalho é muito competitivo, há muitos jovens buscando emprego. Talvez eu não consiga algo formal por causa da idade”, afirma Ana, que cobra R$ 120 por uma faxina. "O dinheiro sumiu da praça, ninguém tá contratando diarista mais. As pessoas estão fazendo os serviços (domésticos) em suas casas", completa.

Prejuízo na semana passada

Criada no bairro Pindorama, Noroeste de Belo Horizonte, Ana mora atualmente em uma república no Esplanada, na região Leste. Tem contas a pagar, mas sem trabalho ficou sem ter recursos até mesmo para comprar comida.

No dia do clássico entre Atlético e Cruzeiro, na semana passada, pegou R$ 300 em doces, por meio de consignação, e foi para a região do Horto tentar levantar um dinheiro para bancar as despesas. Mas foi flagrada pela fiscalização da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que apreendeu a mercadoria. “Agora tô devendo R$ 300 para a mulher que me passou os produtos. Mas meu maior prejuízo foi não ter conseguido levantar um dinheiro pra pagar as contas”, lamenta.

Com a rede de solidariedade que se formou em seu entorno, Ana está na expectativa por dias melhores. "Minha primeira perspectiva é não precisar mais trabalhar em troca de comida. Depois, é ganhar fôlego para me profissionalizar e conseguir um trabalho que supra minhas necessidades e que pague os direitos (trabalhistas)".