Nada menos que 82 multas por transitar acima da velocidade máxima permitida são registradas, por hora, nas ruas e avenidas de Belo Horizonte. Só no primeiro semestre deste ano, mais de 356 mil infrações foram flagradas pelos radares da cidade – um aumento de 133% em relação ao mesmo período de 2017. As informações são do Departamento de Trânsito (Detran-MG).

Nos principais corredores da metrópole, 106 equipamentos eletrônicos estão sob a responsabilidade da BHTrans. Já no Anel Rodoviário são 12 do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e mais dez da Via 040, concessionária que administra um trecho da rodovia. 
Além disso, há pelo menos mais oito aparelhos monitorados pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DEER) nas estradas estaduais que cortam a capital.

Apesar da quantidade de aparelhos, especialistas afirmam que o mecanismo isoladamente não consegue combater o desrespeito. “O radar não muda o comportamento dos motoristas. Eles sabem a localização dos aparelhos e só reduzem quando estão próximos. Logo depois tendem a aumentar a velocidade, como uma forma de compensação”, analisa o professor de segurança viária do Cefet-MG, Agmar Bento.

O especialista dizer ser preciso modernizar as formas de fiscalização. Ele explica que os veículos deveriam ser monitorados a distâncias maiores e não apenas em pontos próximos ao equipamento, como acontece atualmente. 

“Além disso, é necessário captar a velocidade dos carros em mais de um ponto do trajeto e cruzar essas informações para saber qual foi a velocidade média. Já há tecnologias disponíveis para isso”, acrescenta Bento. 

A BHTrans disse que os radares sob responsabilidade da empresa ficaram desligados temporariamente, no 1° semestre, para a substituição dos aparelhos, o que motivou redução de 24% nas multas em 2018, na comparação com 2017

Rigor

Para o especialista em transporte e professor da Fumec Márcio Aguiar, o cerco aos infratores deve ser cada vez mais intenso. “É preciso, inclusive, recolher mais CNHs para que os motoristas que desrespeitam a lei mudem de comportamento”, garante.

Aguiar ressalta que o trabalho deve ser firme e contínuo, caso contrário os resultados positivos dificilmente serão alcançados. “A descontinuidade desse tipo de fiscalização é um problema sério não apenas em BH, mas em todo país”, afirma o professor. 

Líder do ranking de infrações em 2018 em BH, o excesso de velocidade também é classificado como “a pior das infrações”. “É uma das principais causas de acidentes com morte e o aumento das multas certamente está ligado a mais radares em funcionamento na cidade”, afirma o chefe do Batalhão de Trânsito da PM (BPTran), tenente Marco Antônio Said.