O muro da casa dos fundadores do Núcleo de Consciência Negra de Alfenas (NCNA), no Sul de Minas, foi pichado na madrugada de sábado (16) com dizeres racistas. "Nucleo de macaco" foi o que os moradores encontraram escrito na casa de Maria Olímpia, psicóloga.

A entidade existe há 26 anos e atua na busca pela igualdade racial no Estado. Segundo explica a postagem feita no facebook oficial do NCNA, a ação acontece na semana em que um documentário, feito pela Universidade de ALgfenas, celebra o aniversário do núcleo.

"Tal fato segue ao encontro da proposta que o Núcleo de Consciência Negra de Alfenas foi criado para combater e serve para que possa aumentar o campo de visão daqueles que acham que a região do sul de Minas não existe racismo. O racismo existe, e visto diariamente pelo núcleo, pelos atendidos do núcleo pela população que convivemos, seja ela, preta, oriental, indígena ou branca", diz o post.

Diversas notas de repúdio foram publicadas na página do NCNA.

"Nota de repúdio ao atentado racista contra o Núcleo de Consciência Negra de Alfenas

O Grupo de Estudos sobre a Juventude de Alfenas, projeto de extensão da Universidade Federal de Alfenas, vem, por meio desta, manifestar seu repúdio ao ato de racismo praticado contra o Núcleo de Consciência Negra de Alfenas (NCNA) em 16 de abril de 2016, atentando contra a sua sede. O Grupo também manifesta seu apoio às lutas do NCNA pelos direitos da população negra, bem como reconhece a importância de seu trabalho socioeducativo realizado em Alfenas. O torpe ato racista atenta não apenas contra o NCNA, mas contra os direitos sociais e os direitos das minorias, conquistado a duras penas, em um largo processo histórico, pelos movimentos sociais e pelas forças progressistas de nosso país. Diante de tamanha ofensa à cidadania, que atinge a todas e a todos, principalmente a população negra de Alfenas, não devemos nos calar e exigimos das autoridades competentes a apuração necessária e o enquadramento dos responsáveis na legislação vigente no país para crimes de racismo.

Luís Antonio Groppo e Marta Rovai – Coordenadores do Grupo de Estudos sobre a Juventude de Alfenas.

Alfenas-MG, 18 de abril de 2016"

Nos álbuns de foto compartilhados com imagens do muro pichado, o grupo mostra que a ação na verdade só irá fortalecer a luta contra o racismo, que é crime previsto no artigo 20 da Lei 7.716.

Veja a nota na íntegra abaixo