Homens presos por furto de iogurte, barra de chocolate e até livros. Essas foram algumas das histórias reveladas pelo mutirão carcerário realizado, nessa sexta-feira (22), no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira, região Oeste de Belo Horizonte. A unidade está interditada, desde o início de abril, devido à superlotação.
 
O trabalho, coordenado pelo professor de Direito da UFMG, Felipe Martins Pinto, envolveu cerca de cem pessoas, entre professores, estudantes e advogados. Eles analisaram a situação jurídica de cerca de 400 internos, para avaliar em quais casos é possível se aplicar benefícios, como a progressão de regime, saída temporária ou reanálise da liberdade provisória. 
 
Segundo Felipe Martins, pelos relatos dos detentos, muitos poderão ser beneficiados, porém, esse foi só o primeiro levantamento. “Temos que averiguar a situação jurídica deles e quem decide depois é a Justiça. Mas vimos muitos casos em que é possível dizer que, em princípio, eles nem deveriam estar lá, porque não representam, de fato, perigo à sociedade”. 
 
Redução
 
O objetivo do mutirão é reduzir a superlotação da unidade, que tem capacidade para 481 presos, mas hoje abriga 1.300, segundo a Secretaria de Defesa Social (Seds). A meta é atender todos os detentos. Para isso, as atividades serão retomadas no próximo dia 29 e em 5 de junho. 
 
“Iremos atender a todos. É um compromisso assumido com os presos, se não isso gera sensação de privilegio”. Segundo Felipe o balanço foi positivo. “Os detentos são tão carentes que o simples comparecimento nosso lá já deixou o clima melhor, de maior esperança, de que estão sendo prestigiados”, comenta o professor.