Após o jogador do Atlético, o equatoriano Juan Cazares, ser liberado da delegacia onde foi acusado de agressão e estupro por duas mulheres, na noite de segunda-feira (10), o delegado responsável pelo procedimento inicial justificou que ninguém foi preso, a princípio, por falta de "elementos contundentes" que confirmem a versão do estupro. Entretanto, segundo o delegado Marcelo Mendel, "isso não significa que o fato não ocorreu", completou. 

"Não estou afirmando aqui que o fato não ocorreu, estou dizendo que, até a lavratura do auto de prisão, não havia elementos mais contundentes que pudessem respaldar e lastrear a declaração da vítima, mas isso não significa que o fato não ocorreu. Para a comprovação do estupro, é evidente que a palavra da vítima tem um valor probatório, mas ela tem que ser considerada e analisada com todo um contexto e, até então, ela restou isolada. Por isso ele não ficou preso, independente de ser atleta ou não, qualquer um conduzido na condição que ele foi trazido, seria liberado", explicou o policial. 

Agora, a Polícia Civil (PC) passará a investigar, colhendo outras provas que confirmem ou não a versão do estupro. "Serão colhidos novos depoimentos, novas provas. Até agora já ouvimos sete pessoas, mas há ainda outros indivíduos que estavam na casa e não foram apresentadas na delegacia, que terão que ser identificadas, qualificadas e ouvidas. Existem também áudios, filmagens que precisam ser coletadas", pontuou. 

Todos os envolvidos conduzidos para a delegacia até o momento foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML), onde passaram por exame de corpo delito, sendo que arranhões e pequenas lesões foram constatadas nas denunciantes. "A mulher que alegou ter sido apalpada nas partes íntimas pelo jogador foi submetida, também, ao exame de conjunção carnal e nada foi diagnosticado", aponta o delegado. 

As agressões e o estupro teriam acontecido no início da manhã de segunda, após uma noite de festa na casa de Cazares, em um condomínio fechado de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conforme a Polícia Militar (PM), as mulheres acionaram a corporação às 6h30 informando que foram agredidas pelo jogador e outras pessoas. 

Uso de drogas

Na versão do jogador, a confusão teria começado depois que o meia desconfiou do comportamento das duas mulheres em razão de idas frequentes ao banheiro. Elas estariam cheirando 'loló', o que teria desagradado Cazares, que, com a ajuda dos colegas, teria expulsado as duas da festa, dando início ao tumulto. 

Ainda de acordo com o delegado Mendel, um produto semelhante à droga em questão chegou a ser apreendido e encaminhado para passar por perícia. "Inclusive, uma das vítimas assume que levou a substância para o evento na casa do atleta. Não existe qualquer informação que dê conta que elas sejam garotas de programa, eles se conheceram pelo Instagram e foram convidadas para a resenha", detalhou. 

A assessoria do Atlético informou que vai aguardar a apuração dos fatos e o posicionamento do jogador.

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