A combinação de inflação alta, economia instável e falta de dinheiro no bolso está afastando os passageiros do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. Nos primeiros cinco meses deste ano, o volume de embarques e desembarques apresentou queda de 7,51% e 7,96%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2014.
 
De acordo com o gerente da unidade, Ricardo Coutinho, as pessoas estão abrindo mão de viajar para economizar. “De maneira geral, temos notado uma queda de 5% no movimento de passageiros que circulam por aqui”.
 
Aperto
 
A doméstica Diva de Jesus Ferreira Vasconcelos, de 56 anos, mora em Morro do Pilar, na região Central de Minas, mas precisa vir com frequência à capital para tratamento médico. “Agora estou tendo muita dificuldade para vir. Estou desempregada e qualquer gasto é muito para mim”.
 
A estudante Taiana Brito Fonseca, de 22 anos, é baiana, mas mora em Varginha, no Sul de Minas, há dois anos. Nesse período, ela tem utilizado com frequência a rodoviária de BH para visitar a família no Nordeste. Ultimamente, porém, voltar para casa tem sido mais custoso.
 
“Está mais apertado. Hoje, além de ter menos tempo para viajar, tenho menos dinheiro. Isso pesa também”.
 
Queixas
 
Outro problema apontado pelos passageiros diz respeito à infraestrutura do local. O professor de história Prema Hari, de 31 anos, testou, nesta sexta-feira (10), cerca de dez orelhões no terminal até encontrar um que funcionasse. “A maioria está quebrada ou sem funcionar. Sem falar que a internet wi-fi funcionou apenas na Copa do Mundo e agora não funciona mais”.
 
Tutela
 
O prefeito Marcio Lacerda assinou nesta sexta-feira (10) o documento que estende por mais seis meses a responsabilidade do município sobre a administração do terminal. Há 12 anos, o governo do Estado transferiu para o Executivo da capital a gestão do local por meio de um convênio, que venceu nesta sexta-feira (10). “Continua a mesma coisa, ele só foi prorrogado. Acredito que a prorrogação acontecerá até a construção da nova rodoviária”, afirma Coutinho.