A quantidade de lacres de tornozeleiras eletrônicas sumidos da Unidade Gestora de Monitoração Eletrônica (UGME), que faz a vigilância dos detentos que usam o equipamento, pode ser bem maior que os 200 admitidos pela Secretária de Defesa Social (Seds).


Segundo o diretor da UGME, Wadson Timo Abreu, até abril do ano passado, quando ele assumiu a gestão da unidade, não havia qualquer controle sobre os selos.


Em audiência pública na Assembleia Legislativa, nessa terça (30), ele disse que os lacres não ficavam em lugar específico e protegido, e estavam sob a responsabilidade de um funcionário da Spacecom, empresa que fornece os equipamentos.


De acordo com o diretor, cinco meses depois de assumir o cargo, ele foi alertado por um funcionário de que os lacres estavam sumindo.


Diante da informação, abriu uma apuração interna, que não conseguiu apontar culpados nem o destino dos selos. Entretanto, ele disse não acreditar que tenham sido vendidos no “mercado negro”. Segundo denúncia publicada pelo Hoje em Dia no início do mês, lacres estariam sendo desviados e vendidos para detentos, por valores entre R$ 500 e RR 5 mil, que de posse deles poderiam burlar o sistema.


Wadson disse ainda que fez um boletim de ocorrência sobre o fato e que uma investigação policial foi iniciada. Durante a audiência, essa foi apenas uma das falhas no sistema de monitoração apontadas pelo diretor da unidade.


Ele contou também aos deputados que os funcionários da UGME não tinham o devido treinamento para lidar com a tecnologia, o que justificaria muitas “falhas operacionais”.


A partir de então, Wadson afirmou ter instituído regras e processos para sanar os problemas, treinado o pessoal, além de promover uma auditoria.


Enfeite


O “pente-fino” constatou que 781 usuários de tornozeleira não estavam sendo efetivamente vigiados. Isso acontecia porque não havia no sistema a definição de “áreas de inclusão ou exclusão”, que são os limites de lugares a que os detentos podem ter acesso e a vigilância de horário.


Dessa forma, eles poderiam estar em qualquer lugar, em qualquer momento, inclusive cometendo crimes, sem que fosse enviado à central nenhum tipo de alerta.


“A meu ver, isso é inaceitável. A tornozeleira se tornou meramente enfeite”, disse. O resultado da auditoria foi encaminhado à Inteligência da Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suapi) em 23 de março deste ano.


Segundo Wadson, atualmente não há mais detentos nessa situação. Entretanto, ele não soube informar por quanto tempo os 781 monitorados ficaram sem efetiva vigilância.


Três funcionários fazem a monitoração dos mais de 2.200 detentos, por turno
196 reais é o valor mensal gasto pelo Estado com o aluguel de cada tornozeleira; 2.214 detentos são monitorados