O trabalho de revitalização de um dos cinco jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx, na Pampulha, em Belo Horizonte, está ameaçado. Plantas rasteiras, algumas exóticas, ao redor do Museu de Arte são atacadas por pragas e destruídas por capivaras.

Os jardins recuperados da Casa do Baile e do Museu de Arte foram apresentados ontem, mas a entrega oficial com edificações restauradas será no dia 12, na Noite dos Museus. O custo total é de R$ 4 milhões. No entanto o responsável pela restauração do projeto paisagístico original, o arquiteto e urbanista Ricardo Lana, criticou o trabalho perdido.

Um canteiro em frente ao Museu de Arte, formado pela planta mexicana “Moisés-no-cesto”, está com algumas unidades destruídas pelos roedores. “No fim de tarde e à noite, manadas de capivaras comem as plantas. Alertamos a prefeitura. Se nada for feito, destruirão todo o trabalho”, alerta Lana.

Segundo a Prefeitura, está em estudos o cercamento da orla da Lagoa da Pampulha, em um trecho de 700 metros próximo ao Museu. A empresa responsável pela revitalização fará a manutenção dos jardins por cinco anos, conforme o contrato de medida compensatória.

Praga

Outro problema é o ataque de erva daninha, a “tiririca”, que deveria ser retirada, orienta Lana, porque atrapalha o crescimento das outras plantas. Troncos de árvores cortadas durante a revitalização não foram retiradas e prejudicam a vista do conjunto.

“Durante anos, foram plantadas árvores sem critério. Resgatamos o projeto original. Por ocasião das escavações, descobrimos as curvas originais dos canteiros”, diz.

Reformas

Segundo o diretor de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura, Carlos Henrique Bicalho, a PBH aguarda aprovação pelo Estado e União de projeto para reformar o Museu de Arte. A proposta é acabar com as infiltrações, empenamentos da estrutura e retirar fechamento com vidraças no fundo do espaço. Não há prazos ou orçamento para a obra. “Talvez resgatemos o restaurante que funcionava no museu”, espera.

Leia mais na Edição Digital