O nascimento de filhotes de jararaca reforçou a produção de soros da Fundação Ezequiel Dias (Funed). A ninhada, de 14 filhotes de "Bothrops Jararaca", nasceu nesta terça-feira (11), no cativeiro da fundação.
 
Normalmente, a jararaca é encontrada, principalmente, em regiões de mata atlântica, e é muito presente no Sul e Sudeste de Minas Gerais. A mãe dos filhotes foi capturada em Pouso Alegre, no Sul do Estado, e chegou a Funed no final do mês de janeiro já prenha. Dos 14 filhotes, 12 sobreviveram e essa é a segunda ninhada deste ano, sendo que a primeira foi da jararaca pintada "Bothrops Neuwiedi", em meados de janeiro, com sete filhotes. Essa espécie é mais comum na região Central de Minas Gerais, inclusive próximo à capital.
 
Ao todo, a Funed possui em cativeiro 25 jararacas adultas, cujos venenos são matéria-prima para a produção do soro antibotrópico, usado no tratamento de picadas. O técnico em animais peçonhentos da Funed, Elias Martins, conta que a jararaca é a responsável por quase 50% do volume de veneno usado na produção desse soro. “A produção do antibotrópico é resultado da combinação de vários venenos. O da jararaca corresponde à metade, enquanto a jararaca pintada, por exemplo, por cerca de 12% ”, explica o técnico. Porém, segundo ele, o volume de veneno retirado dela, cerca de 80 mg, é menor que o volume retirado de outras espécies do gênero "Bothrops", que chega a 150 mg. “Por isso comemoramos o nascimento dos filhotes”, disse.
 
Por ano, a fundação produz 100 mil ampolas do soro antibotrópico, que é destinado ao Programa Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, responsável pela distribuição em todo o território nacional. “A reprodução desses animais em cativeiro é muito importante para garantir a entrega dos produtos e o cumprimento de nossa missão de proteção à saúde”, afirma o presidente da Funed, Francisco Antônio Tavares Junior.  (*Com Agência Minas)