Em coletiva na tarde desta sexta-feira (8), a promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Cláudia de Oliveira Ignez, mostrou preocupação em relação à situação das 26 barragens em risco em Nova Lima, Rio Acima e Raposos. Segundo ela, em caso de rompimento das estruturas, os moradores têm menos de dois minutos para deixarem suas casas. 

"Delegar o próprio salvamento à população é um crime", enfatizou, lembrando que mesmo se houvesse um treinamento seria inviável que as pessoas conseguissem escapar com vida em um período de tempo tão curto e sem um guia para saberem para onde correr. 

O que falta, segundo ela, é um monitoramento em tempo real das barragens e transparência. "A população não tem acesso à situação destas barragens de que são vizinhas. A fiscalização é falha e os laudos são incertos. Um engenheiro averigua a situação das barragens e dá o seu laudo de segurança naquela hora, mas nada garante que à noite a estrutura vai continuar segura. As chuvas, a atuação humana, o acúmulo de materiais ali podem mudar este laudo em pouco tempo", explica. 

De acordo com a promotora, soluções simples e baratas de monitoramento, como um aplicativo de celular, poderiam dar mais segurança às pessoas.

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