Minas Gerais foi o centro da maior operação de combate ao crime organizado do ano. Em parceria com corporações de outros estados, a Polícia Civil mineira cumpriu ontem 25 mandados de prisão contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa do país. Ao todo, 2.227 pessoas integram o grupo no Estado. Alguns dos criminosos já estavam presos e agiam de dentro de presídios. As acusações são homicídios, roubos, furtos e ataques a instituições financeiras.

Batizada Hefesto, a força-tarefa investiga a atuação do PCC também em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Norte, mas a maioria dos mandados (18) foi cumprida no Estado. 

Dos alvos mineiros, 12 já cumprem pena por outros crimes, três foram presos ontem e outros três estão foragidos. Foram cumpridos também 30 mandados de busca e apreensão em seis cidades mineiras para identificar e desarticular os chefes do grupo.

Segundo os investigadores, de dentro dos presídios os chefes da quadrilha emitiam os “salves”, ordens para o grupo criminoso. O delegado Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), explicou que o grupo era investigado há oito meses.
“Começamos as investigações após a série de ataques a ônibus e equipamentos públicos ocorrida em junho do ano passado. A primeira fase focou nas principais lideranças do PCC em Minas e identificou 32 membros de diversas “sintonias” da facção”.

Dentre as divisões está a Sintonia Geral, a maior do PCC em Minas e que “batiza” integrantes, repassando também ordens e delegando funções, segundo a Polícia Civil. Outras etapas da operação Hefesto serão deflagradas ainda neste ano.

Reações

Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o pesquisador Rafael Alcadipani, da Fundação Getúlio Vargas, diz que podem acontecer reações dentro das cadeias. “Qualquer ação no sentido de desarticular o crime gera reações. Nunca se sabe o que pode acontecer ao lidar com esse tipo de criminoso”. 

A Polícia Civil afirma que já pediu judicialmente a transferência de 12 membros detidos em penitenciárias do Estado para unidades federais. A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), que gerencia os presídios mineiros, não se pronunciou sobre o pedido.

Embora o PCC seja considerada a maior organização criminosa do país, o titular do Deoesp garante que a facção tem papel coadjuvante em Minas. 
“Estamos trabalhando justamente para que ela não cresça e seja eliminada do Estado”, avisa.