A mudança na diretriz de quando buscar ajuda médica em casos de Covid-19 ajuda a evitar o agravamento da doença, mas exige cautela, afirmam especialistas. Até a última quinta-feira (9), a orientação do Ministério da Saúde era que as pessoas com sintomas leves ficassem em casa. Porém, o protocolo foi alterado para que até mesmo esses pacientes procurem o hospital.

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Novo protocolo do Ministério da Saúde visa a reduzir os casos graves de Covid-19 e a necessidade de internação na terapia intensiva 

Dessa forma, conforme a pasta federal, será possível prever evolução clínica de pacientes, principalmente do grupo de risco, e até evitar mortes. A necessidade do uso de respiradores, um dos gargalos na combate à pandemia, também seria reduzida.

Mas a busca precoce por assistência precisa ser bem avaliada, destaca a infectologista Ana Helena A. Figueiredo, do Grupo Iron. Segundo a especialista, a Covid-19 é diferente até mesmo quando se fala em indicações precoces de se procurar um médico para outras enfermidade. “Quando se fala de doença infecciosa, é uma questão muito delicada”, diz. 

A médica explica que procurar um médico o mais cedo possível objetiva oferecer um tratamento para a melhora clínica do paciente ou porque em algum momento o estado de saúde dele poderá ser agravado. “Nesse último caso, ele será acompanhado bem mais perto”.

Em se tratando de Covid-19, Ana Helena enfatiza ainda não existir um tratamento que irá “mudar o percurso da doença no início dos sintomas”. “Então, a única coisa que o olhar profissional pode ajudar nessa fase é prever qual pessoa ficará mais grave e monitorá-la”, frisa a infectologista. 
Vale lembrar que o novo coronavírus provoca mudanças rápidas no estado de saúde do doente. De acordo com o clínico geral Angelo Pimenta, médico intensivista do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, o novo protocolo do Ministério da Saúde busca contemplar uma melhor avaliação de quem apresenta fatores de risco que predizem que o estado de saúde pode evoluir mal. 

“Não é a postura (do governo federal) para indicar um tratamento, não mudou nada sobre medicação. A melhor forma de melhorar o resultado é precocemente identificando aqueles que dão sinais de que podem evoluir clinicamente mal”, enfatiza.

Ambientes de risco

Por outro lado, o medo de ir até centros de saúde e hospitais, considerados ambientes propícios para a propagação do vírus, pode afastar muitas pessoas que precisam ter assistência o mais rápido possível. 

“No contexto da pandemia, a nova recomendação do Ministério da Saúde também se mostra perigosa. O paciente que procura ajuda no início dos sintomas, e que não esteja com Covid, pode acabar sendo contaminado. Essa pessoa pode, na verdade, estar com uma síndrome grupal ou dengue, por exemplo. Temos várias epidemias ao mesmo tempo”, destaca Ana Helena A. Figueiredo. Além disso, caso o doente esteja com o novo coronavírus, ele corre o risco de infectar outras pessoas.

Consulta on-line

A infectologista afirma que a telemedicina, autorizada no Brasil no início da pandemia, é alternativa para a pessoa com sintomas leves receber atendimento de um especialista. Em Belo Horizonte, o serviço é ofertado tanto por planos de saúde e hospitais particulares quanto pela rede pública de saúde.

A prefeitura, por exemplo, disponibiliza, desde abril, uma plataforma de consultas on-line para casos suspeitos de Covid-19. Até o momento já foram cerca de 7 mil atendimentos. Para ter a assistência, o morador deve ser cadastrado em qualquer centro de saúde da capital.

Podem acessar o sistema quem apresenta sintomas como tosse, dor de garganta, congestão nasal e coriza, com ou sem febre. A teleconsulta é ofertada pelo portal da administração municipal ou pelo PBH APP.

Já o Estado implantou ferramenta semelhante em maio, por meio do aplicativo Saúde Digital MG. Pela plataforma é possível marcar consultas ou ser direcionado a um atendimento médico on-line.

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