Mais de duas décadas depois de ser transferida para o endereço atual, a Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte passou a funcionar com novo layout. A mudança, que começou a ser implantada nos dois fins de semana anteriores, foi finalizada neste domingo (6), com todos os setores reformulados e as barracas organizadas em grupos de quatro, e não mais em fileiras, como anteriormente. Mas as alterações não agradaram a todos e ainda dividem opiniões.
 
“Ficou horrível. Os clientes estão perdidos. Minhas vendas caíram pelo menos 30%”, contou Samara de Souza, que vende bijuterias. “Está tudo misturado. Não acho nada”, reclamou a consumidora Fernanda Loureiro. “Achei um espetáculo, muito melhor para circular”, defendeu Terezinha Célia Silva, do ramo de calçados. 
 
O novo layout foi implantado pela Regional Centro-Sul, por meio da Gerência de Feiras Permanentes. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a medida atende uma exigência do Corpo de Bombeiros e do Ministério Público de Minas Gerais, para garantir a segurança de expositores e clientes. Pelo menos sete mil pessoas circulam pela feira da avenida Afonso Pena aos domingos. 
 
Entre os expositores insatisfeitos, um dos receios é a perda da antiga clientela. Roberto Souza e Raquel Malaco, a Quel das Bonecas, estavam inconformados. “É como se a gente tivesse que começar do zero”, disse a comerciante. “A prefeitura não fez banheiro, não ofereceu barracas novas, não melhorou nada do ponto de vista estético. Fez tudo no peito, sem diálogo”, queixou-se Souza.
 
Contrariando o desejo de 97% dos feirantes, segundo a Associação dos Expositores da Feira da Avenida Afonso Pena (Asseap), a PBH realizou um sorteio para remanejar os pontos dos artesãos. Para o coordenador da Asseap, Alan Vinícius Jorge, esse é o ponto de maior discórdia. 
 
“O novo layout deixou a feira mais organizada e deu destaque aos feirantes que estavam escondidos. Mas poderiam fazer isso apenas agrupando os expositores, sem mudar as barracas de lugar. Teria mais equilíbrio e não traria transtornos, mas, pra variar, a prefeitura impôs sua vontade”, lamentou.