Foram quase nove meses de atraso, mas finalmente os usuários do metrô puderam experimentar a principal novidade no sistema desde a sua implantação, há 29 anos. Começou a circular nesta quarta-feira (16) a primeira das dez novas composições adquiridas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a um custo de R$ 171,9 milhões.

Apesar de já transportar passageiros, o veículo será operado em caráter de testes nos próximos dias, sempre das 9h às 16h. Na sequência, outros trens entrarão gradativamente em atividade, de acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindmetro), Romeu José Machado Neto.

A CBTU não informou a previsão para a integração de todos os vagões. A promessa foi começar a operação em janeiro, e o atraso foi justificado pela necessidade de testes. Segundo Neto, os testes foram indispensáveis, já que passaram a circular no sistema trens muito diferentes. “É complicado, a tecnologia é outra. Por isso a demora. Várias alterações foram feitas nas novas composições para que pudessem circular com passageiros”.

Com os novos trens, o sistema passará a contar com 35 composições, cada uma com quatro vagões. A integração ampliará a capacidade do sistema em quase 50%, atendendo a 340 mil passageiros/dia. O intervalo entre viagens, entretanto, continuará entre quatro e oito minutos.

Em uma segunda etapa da implantação, a CBTU deverá integrar as composições antigas, que passarão a rodar com oito vagões por trem. A partir dessa alteração, os trens novos poderão circular no horário de pico.

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Quem embarcou na nova composição nesta quarta-feira (16) notou logo a diferença. “Ajuda muito quem tem problema de locomoção e de audição”, afirmou o operador de guilhotina George Pereira Silva, de 31 anos. Para ele, ainda é preciso reduzir o tempo de viagem.

O ar-condicionado foi o diferencial que chamou a atenção da professora Luíza Krygsman, de 18 anos. “Tá bem melhor. O ar está funcionando. O interior dos trens antigos é muito quente”.

E um dos “vovôs” da frota da CBTU apresentou problema técnico justamente nesta quarta-feira (16), às 14h40, na Estação Minas Shopping. Os passageiros tiveram de mudar de veículo e esperar mais de dez minutos para seguir viagem.

Para o aposentado Eduardo Antônio Pereira, de 69 anos, o ocorrido evidencia a falta de organização do sistema. “O metrô é bom, mas precisa de um pouco mais de ordem. O que aconteceu hoje foi uma falta de respeito”. Questionada sobre a falha, a CBTU não se manifestou.

Para o aposentado Nicomedes Vieira, de 80 anos, os trens novos ajudam a melhorar o serviço, limitado a uma linha. “BH está precisando de muito transporte. Tem de ampliar”.