O cerco começa a se fechar

Editorial / 30/01/2016 - 09h10

A operação “Lava Jato”, seguramente a maior investidura contra a endêmica corrupção do país, produz mais um resultado surpreendente, a convocação de um ex-presidente da República para depor como investigado em uma suposta ação criminosa de lavagem de dinheiro. Trata-se de um luxuosíssimo apartamento à beira mar no litoral paulista cuja reforma custou a fábula de R$ 777 mil. A obra foi bancada pela construtora OAS, investigada na “Lava Jato”, daí a suspeita do Ministério Público de que o dinheiro utilizado foi fruto de operações ilícitas.

Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa foram intimados. O Partido dos Trabalhadores, do qual Lula é o líder supremo, protestou, como sempre faz, alegando que se trata na realidade de uma perseguição à agremiação. Para seus membros, é uma estratégia deliberada das “forças conservadoras” para impedir que o partido conquiste novas eleições.

O problema é que as evidências se mostram a cada dia mais convincentes sobre o verdadeiro esquema de propinas e desvios que teve como base a Petrobras. Não por acaso, membros do PT encontram-se presos no Paraná por ordem do juiz federal Sérgio Moro, que comanda o inquérito da “Lava Jato”. O próprio dono da OAS já foi condenado a 16 anos de prisão nesse inquérito, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

O jornal “Folha de São Paulo” divulgou nessa sexta outra informação que também compromete o ex-presidente, a reforma de um sítio frequentado por ele e sua família no interior de São Paulo. Outra empreiteira, a Odebrecht, também indiciada na “Lava Jato”, é acusada de ter pago cerca de R$ 500 mil a fornecedores de material de construção. A ex-dona do depósito disse ao jornal que recebia calhamaços de dinheiro vivo semanalmente com valores que chegavam a até R$ 90 mil.

Quem lida com a política sabe que a estratégia de utilizar cédulas é praticada por parlamentares e candidatos eleitorais no pagamento dos serviços contratados para evitar que o dinheiro deixe rastro. Não há como comprovar sua utilização, pela inexistência de registros escritos.

Ninguém pode dizer que o ex-presidente esteja envolvido em qualquer atividade ilícita, inclusive porque nenhum dos imóveis está em seu nome. Mas, como diziam os romanos, não basta à mulher de César ser honesta, ela precisa parecer honesta. A César, também.

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