O que já se sabe sobre a nova cepa indiana confirmada em Minas?

Marina Proton
mproton@hojeemdia.com.br
28/05/2021 às 12:15.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:02
 (Itamar Crispim/Fiocruz)

(Itamar Crispim/Fiocruz)

A nova variante indiana da Covid-19, confirmada em Minas e associada à explosão de casos no país asiático, é uma das quatro cepas do coronavírus consideradas de maior atenção no mundo. No Brasil, oito casos já foram confirmados, um deles em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Mais transmissível, a linhagem foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, mas se tornou predominante a partir deste ano na Índia. No Brasil, a primeira notificação ocorreu em maio, em tripulantes de um navio ancorado na costa de São Luís, no Maranhão. A cepa também foi identificada em um morador do Rio de Janeiro. Confira o que você precisa saber sobre a nova variante:

O que é nova cepa indiana?
A linhagem foi detectada no país asiático em 2020. É apontada como responsável por uma onda de casos e mortes por lá. Além da Índia, estima-se que a cepa já tenha circulado em pelo menos 53 países, segundo dados da OMS. Conforme as análises, a variante apresenta três versões, com pequenas variações: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3.

Segundo o membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em BH, Estevão Urbano, a linhagem é considerada mais agressiva e pode ser responsável por uma explosão de casos também no Brasil. “O que podemos dizer é que ela é mais agressiva e, chegando no Brasil, vai explodir. E, explodindo, o cenário é previsível. Temos que trabalhar com cenários mais improváveis e assustadores possíveis, no sentido de não relaxar nas medidas de contenção e prevenção. Vai depender da nossa capacidade de evitar essa cepa por meio de medidas sanitárias”, disse ao Hoje em Dia.

A nova cepa é mais transmissível?
Além de maior agressividade em relação à cepa original, especialistas consideram que a variante possa ser até 50% mais transmissível, quando relacionada às demais que circulam atualmente. Além da indiana, as de Manaus, Reino Unido e África do Sul também são mais transmissíveis, podendo provocar casos mais graves da enfermidade, o que preocupa infectologistas, reforça o também membro do comitê da capital, Unaí Tupinambás.

“Agora, com a identificação dessas pessoas aqui no Brasil, a gente fica muito mais preocupado. O que já se sabe é que ela é 50% mais infectante do que aquela cepa 117, originária do Reino Unido. Ela pode favorecer o recrudescimento dessa pandemia”, avaliou em entrevista à Rádio Itatiaia.

As vacinas atuais protegem contra a variante indiada?
Ainda são poucos os estudos disponíveis. A cepa B.1.617, mais contagiosa, pode diminuir a eficácia das vacinas da Pfizer e da Oxford/AstraZeneca. Mas, mesmo assim, as doses ainda são consideradas eficientes contra a linhagem. As duas vacinas são utilizadas no programa de imunização no país.

Para estabelecer o controle da pandemia e da nova cepa, porém, é necessário que cerca de 80% da população seja imunizada com as duas doses, como alerta Unaí Tupinambás. “Parece que a gente consegue proteger um pouco contra essa nova variante. Mas nós temos que ter vacina. Temos que ter mais de 80% da população vacinada para poder conter a pandemia. A gente está com menos de 15% da população vacinada, a maioria com apenas uma dose, e estão faltando insumos”, avaliou.

A cepa dos país asiático pode causar uma terceira onda?
Sim. Especialistas acreditam que a circulação da nova cepa pode contribuir. O inverno, com temperaturas mais baixas, também pode favorecer o aumento de casos e mortes.

Como se proteger enquanto a vacinação em massa não ocorre?
Para que a circulação da nova cepa seja controlada, é preciso que medidas sanitárias sejam impostas, como controle de entrada de pessoas em portos, aeroportos e barreiras, além da continuidade de ações de proteção individual.

“Vai depender do papel de cada um de nós, que também somos responsáveis pela circulação e transmissão da cepa, com o uso de máscara ou não e realizando aglomerações ou não. Se nós fizermos nosso trabalho direito, nós minimizamos o problema. Mas se não fizermos, nós teremos mais de centenas de milhares de mortes. É trágico, é triste, mas é verdade e é real”, finalizou Estevão Urbano.

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