A nova variante do coronavírus, que surgiu no Reino Unido e pode ser até 56% mais contagiosa do que a versão anterior, foi confirmada em São Paulo. A descoberta tem gerado dúvidas e muita preocupação. Por isso, veja o que já se sabe sobre a mutação do vírus, segundo especialistas.

O que é a nova variante?
Chamada de B.1.1.7, é o resultado de mutações que afetam a forma como o vírus "se agarra" às células humanas. Ela foi detectada inicialmente no Reino Unido, em setembro de 2020, e já está presente em 17 países. Conforme especialistas, o coronavírus (como todos os vírus) se modifica rapidamente e a mutação é um processo natural.

Onde e como ela foi detectada?
No Brasil, a nova cepa foi confirmada em uma mulher de 25 anos, de São Paulo, que se infectou após contato com turistas que passaram pelo Reino Unido; e em um homem, de 34 anos, cuja moradia é investigada.

A confirmação de que se tratava da nova variante ocorreu após sequenciamento genético realizado pelo laboratório de medicina diagnóstica Dasa, em parceria com a USP, em 31 de dezembro de 2020.

O material também foi enviado para o Instituto Adolfo Lutz, que refez a análise,  ratificando o resultado nessa segunda-feira (4).

Quais são os sintomas da nova variante?
Os mesmos. Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas mais comuns da Covid-19 são: tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar e falta de ar, perda de olfato, alteração do paladar, náuseas, vômitos, diarreia, cansaço e diminuição do apetite.

No caso identificado em São Paulo, a jovem de 25 anos apresentou dores de cabeça e garganta, tosse, mal-estar e perda de paladar.

A nova variante é mais perigosa?
De acordo com a Secretaria de Estado de São Paulo, a nova cepa não se mostra mais letal, mas pode ser mais transmissível. Conforme pesquisadores internacionais, a B.1.1.7 é 56% mais contagiosa que a versão anterior do coronavírus.

Segundo Alexandre Sampaio Moura, infectologista, professor e pesquisador da Santa Casa BH, como a B.1.1.7 é mais transmissível, "você acaba tendo maior risco de adoecer". No entanto, a nova cepa parece estar acometendo mais os jovens.

Conforme o especialista, como a mortalidade por Covid é mais baixa em jovens, ainda não se sabe se a mutação tem letalidade menor. "Parece que a letalidade é semelhante. O que muda é porque ela acometeria mais os jovens", ponderou Moura.

A nova variante está matando mais no Reino Unido?
Essa informação não está confirmada. O que se sabe, porém, é que a B.1.1.7 já representa mais de 50% dos novos casos de Covid-19 diagnosticados no país, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nessa segunda, o Reino Unido registrou recorde de 58.784 novos casos de coronavírus. Ao todo, já são mais de 2,65 milhões confirmações, com 75 mil mortes.

O método de prevenção mudou devido à nova variante?
Não, mas precisa ser redobrado. "As pessoas estão relaxando muito na prevenção e o necessário, agora, é justamente ser mais rigoroso. Não tem nada novo (na prevenção). É necessário lavar as mãos, manter distanciamento, usar máscara e manter o fluxo de ar nos ambientes", explicou Alexandre Sampaio Moura.

A vacina funcionará contra a nova variante?
Bergmann Morais Ribeiro, professor do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da Universidade de Brasília, afirma que as vacinas que estão sendo produzidas devem neutralizar a variante do coronavírus, mas é preciso que sejam feitos mais estudos.

"Ainda é prematuro dizer que um vírus que está predominando em alguma região do mundo se tornou mais transmissível ou mais patogênico, sem uma análise detalhada de sua característica biológica", afirmou.

Há casos da nova variante em Minas?
Não há nenhum caso confirmado. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) foi procurada, mas ainda não se pronunciou.

* Com informações da Agência Brasil, Rádio EBC, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde