Estudos recentes lançam um alerta para as mulheres que planejam engravidar. Além de ser um risco para a gestante, a obesidade pode interferir na saúde do feto e do bebê, ao nascer, e até mesmo quando o filho estiver na adolescência. O problema é muito mais do que a predisposição ao sobrepeso: essas crianças também poderão desenvolver doenças associadas ao metabolismo, como diabetes e hipertensão.

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Apesar de ter sido realizada com camundongos, pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que o que a gestante come influencia – e muito – na qualidade de vida do filho. Nos experimentos em modelo animal, as mães foram submetidas a uma dieta rica em gordura durante a gestação e a amamentação. Após a lactação, as proles receberam apenas alimentos recomendados para roedores.

Mesmo assim, segundo Márcio Torsoni, um dos coordenadores do Laboratório de Distúrbios do Metabolismo da Unicamp, os animais desenvolveram alterações metabólicas no organismo. Na terceira fase do estudo, divulgada recentemente, os pesquisadores descobriram que uma espécie de estresse no retículo endoplasmático das proles favoreceu a resistência dos animas à insulina, substância importante no controle da glicose no sangue.

Em excesso

De acordo com a vice-presidente do Comitê de Gravidez de Alto Risco e Mortalidade da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Suzana Maria Pires Rio, a resistência à insulina – quando ela não desempenha o seu papel no organismo – é causada principalmente pela obesidade. É o excesso de gordura que obriga o corpo a produzir mais insulina.

Nesse caso, em uma gestante, a glicose da mãe passa livremente do organismo dela para o feto, que não tem problema algum. Porém, a médica explica, a criança em formação começa a produzir insulina em excesso, depositando o hormônio no coração e no fígado.

“Se a mãe não fosse obesa, o pâncreas do feto funcionaria normalmente. No caso contrário, a criança nasce com maior índice de gordura. A síndrome metabólica é familiar, mas o risco é maior quando a mãe é obesa, e os problemas aparecem mais precocemente no filho”.

Mais pesada

Vice-presidente do Comitê de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria, Antônio José das Chagas observa que filho de mãe obesa pode sim nascer com uma série de alterações metabólicas, mas ainda não com a doença em si. Como esses bebês nascem geralmente com mais de quatro quilos, o especialista faz um alerta. “Se continuar gordinho, em alguma fase da vida ele irá desenvolver alguma das doenças associadas ao metabolismo”. 

Por isso, o endócrino-pediatra defende as mudanças de hábitos alimentares na família. “Na casa de pessoas obesas sempre tem muita comida. O recomendável, para que os problemas de saúde não apareçam tão rapidamente, é adoção de hábitos saudáveis”.

Desafio

O grande desafio para os especialistas é conscientizar as mulheres sobre a necessidade de se chegar ao peso ideal para engravidar. “A própria obesidade dificulta uma gestação”, ressalta Cristiana Fonseca Beaumord, ginecologia e obstetra da Unimed-BH.

Durante a gestação, a mãe que já era obesa ou ganhou peso na gravidez pode desenvolver diabetes e até enfrentar complicações no parto. “Também aumentam o risco de hipertensão, trombose e problemas ortopédicos”.

Obesidade materna expões bebês a riscos

Na atual fase da pesquisa, os estudiosos da Unicamp introduziram ômega 3 na dieta rica em gordura dos camundongos; eles querem saber se a ingestão de gordura boa ajuda a prevenir as alterações metabólicas na prole