Rachaduras no prédio da Fundação Hilton Rocha, surgidas durante a construção de um centro para tratamento de câncer da Oncomed, levaram a diretoria da instituição a recorrer à Justiça para garantir a vistoria do imóvel e conseguir a reparação dos problemas. Na inspeção, realizada nesta terça (13), a Defesa Civil constatou a existência de fissuras nas paredes dos corredores e em consultórios do prédio, que fica ao pé da Serra do Curral, no bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte.

A obra, conforme os gestores do hospital, também causou o rompimento da tubulação de água, afetando um dos blocos cirúrgicos, e falhas no sistema de gás. Cerca de 50 cirurgias tiveram que ser canceladas. O Hilton Rocha é especializado em oftalmologia e atende, diariamente, cerca de 750 pacientes. Deste montante, 95% é pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O pente-fino realizado no local, nesta terça, contou com a participação do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (Crea), da equipe da administração do hospital e de engenheiros ligados à Oncomed. A Defesa Civil descartou a necessidade de paralisação das atividades no Hilton Rocha, mas irá acompanhar de perto a situação, a cada 48 horas. 

"Não há risco que justifique uma interdição. Há uma movimentação na estrutura (do prédio), que vai ser monitorada", explicou o coronel Alexandre Lucas, do órgão municipal. "Verificamos que há segurança para que as pessoas permaneçam sendo atendidas. A empresa (Oncomed) foi notificada a manter o monitoramento de todo o complexo de forma a verificar a evolução. Eles estão usando o que há de mais moderno em tecnologia no país". A equipe de reportagem do Hoje em Dia acompanhou a vistoria no hospital, mas foi impedida de visitar as obras da Oncomed, também alvo da varredura.

Advogado do grupo Soebras, que administra o hospital, Rafael Albergaria disse que uma apelação judicial foi protocolada no último sábado (10), exigindo que providências fossem tomadas. No domingo (11), segundo o defensor, a Justiça acatou o pedido e uma vistoria foi realizada. "Não houve um laudo conclusivo e remarcaram nova vistoria para hoje (terça-feira)", disse o advogado. Porém, ainda de acordo com o advogado, caso o problema não se resolva, a Fundação irá solicitar o embargo da obra. 

Diretora da unidade de saúde, a médica Ariadna Muniz diz que a rachadura mais preocupante está em um corredor que divide os consultórios do hospital. A fissura surgiu em 22 de outubro e tem 1,5 centímetro de largura. “A Oncomed já se responsabilizou pelos danos e contratou uma empresa da Austrália que vai instalar antenas na obra e no hospital para fazer o monitoramento", disse. Segundo ela, medidas paliativas já foram adotadas.

O Crea foi procurado, mas ainda não se manifestou. A Oncomed informou, por nota, que vai monitorar o problema e dar o suporte necessário para manter a segurança dos pacientes e funcionários.


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