As obras contra as enchentes na avenida Vilarinho, em Venda Nova, já têm data para começar: no próximo mês. Essa etapa das intervenções vai custar cerca de R$ 20 milhões e será realizada na intersecção com a Doutor Álvaro Camargo e rua Maçon Ribeiro. Mesmo com a previsão de duração de um ano e meio, a prefeitura acredita que os problemas na região já “sejam atenuados” no próximo período chuvoso, em outubro.

Os trabalhos também demandam desapropriações em seis bairros. Decreto publicado ontem declara de utilidade pública edifica-ções em lotes localizados no Candelária, Flamengo, Mantiqueira, Piratininga, São João Batista e Santa Mônica. O número exato de estruturas não foi informado.

As áreas onde esses imóveis estão são essenciais para as obras de drenagem nos córregos Vilarinho e Nado e ribeirão Isidoro. Segundo o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão, uma caixa de captação será construída, ocupando uma área de 2.800 metros quadrados, com quatro metros de profundidade. 

A ideia é que a chuva que vem da superfície caia dentro dessa estrutura, que vai funcionar como uma piscina com capacidade para 10 milhões de litros de água.

“O que vier da pista será canalizado para essa tubulação. Se terá uma melhor organização da entrada da água no canal que segue na Vilarinho. O refluxo que faz o transbordamento será bem reduzido”, explicou.

O trânsito na região será alterado para as obras. Também será necessário remanejar redes de infraestrutura e serviços que interferem diretamente na execução do projeto. A intenção é liberar a área para a realização da primeira etapa logo após o Carnaval.

Permanente

As obras preveem a ampliação da capacidade de armazenamento de água excedente em pontos estratégicos dos córregos Nado e Vilarinho. Novos reservatórios serão implantados e outros quatro, já existentes, serão ampliados.

O planejamento considera a mitigação das cheias para 10, 25 e 50 anos, gradativamente. A expectativa é a de que as intervenções retenham grandes volumes de água das chuvas, proveniente das vazões excedentes à capacidade do sistema de macrodrenagem.

A proposta é considerada válida pelo presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), Clemenceau Chiabi. “Mas não se pode parar de ter obras contra enchentes e alagamentos. O cuidado deve ser permanente, pois a cidade não para de crescer”.

As enchentes na Vilarinho começaram em dezembro de 1996. Desde então, casas e comércios são alagados durante o período chuvoso.
Mortes também já foram registradas. Em 15 de novembro de 2018, três pessoas perderam a vida após a avenida ser completamente alagada.

Além disso

A expectativa da PBH é fazer um acordo com os proprietários dos imóveis a serem desapropriados na região, relacionados no decreto publicado ontem no DOM. Não sendo possível a saída amigável, o processo será feito por via judicial. 

A partir de agora, as áreas serão avaliadas para determinar o valor a ser pago, “baseado em parâmetros definidos em normas técnicas e legais”, informou o Executivo. As indenizações contemplam os lotes e as benfeitorias realizadas no terreno, se houver.

Desde o ano passado, obras de tratamento do fundo de vale e controle de cheias no córrego do Nado – que compreende a sub-bacia do Lareira e Marimbondo – contemplam a construção de duas bacias de concreto armado, no trecho entre as ruas Hye Ribeiro e Elce Ribeiro, com a função de reter e controlar a vazão da água e reduzir o risco de inundações no encontro das avenidas Vilarinho e Doutor Álvaro Camargos.