No ano em que o Brasil comemora 110 anos do nascimento de Candido Portinari, um dos mais importantes nomes da pintura nacional do século XX, o maior quadro do artista plástico é alvo de uma restauração. Danificada pela ação do tempo, a obra “Civilização Mineira” está agora nas mãos de quatro especialistas, responsáveis por devolver a originalidade à pintura.
 
O último reparo ocorreu há dez anos. Novas manchas na tela, no entanto, indicavam a necessidade de uma nova intervenção.
 
Com o fim dos trabalhos, a obra, até então “escondida” no Palácio dos Despachos, onde pouca gente tinha acesso, ganhará destaque. Ela ajudará a compor a decoração do hall de entrada da Casa Fiat de Cultura, que, em junho de 2014, deixará o Belvedere para ser instalada na Savassi, compondo o Circuito Cultural da Praça da Liberdade.
A primeira etapa da restauração consistiu em uma detalhada pesquisa sobre Portinari e sobre técnicas e materiais usados por ele, explica a principal restauradora do grupo, Rosangela Reis. Agora, os 12 painéis que formam o quadro de oito metros de largura acabam de ser desmontados para a continuidade dos trabalhos.
 
Durante esse procedimento, porém, os técnicos se depararam com uma degradável surpresa: uma infestação de cupim atrás da obra. “Por muito pouco, não alcançaram a pintura. Teríamos buracos na tela. Seria irreversível”, disse Rosangela.
 
Prazo
 
Até dezembro, data em que a obra deverá estar completamente restaurada, há um extenso e minucioso trabalho pela frente. “Identificamos algumas partes que estão descoladas. Vamos utilizar produtos especiais para a fixação”. E com borracha branca, a pintura está ganhando novamente o aspecto original, que se escondia sob uma camada de pó. Retoques pontuais com uma tinta especial também serão necessários.