Desde setembro, frequentadores de um clube e moradores de um condomínio fechado em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estão inquietos sobre um grande felino que apareceu em uma área de mata. Uma onça-preta estaria rondando a área do Clube Mineiro de Caçadores (CMC)?

Embora o animal tenha sido avistado há mais de 40 dias, foi nesta semana que um vídeo que mostra a presença dele ganhou as redes sociais. Teve gente que manifestou preocupação porque algumas galinhas criadas por funcionários dentro da área do clube teriam sido mortas pelo animal, e teve também quem ficou apreensivo pela segurança do próprio bicho.

Assista ao vídeo:

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, ninguém precisa ficar com medo do felino porque não se trata de uma rara onça-preta (animal da mesma espécie da onça-pintada, mas com grande acumulação de melanina). “Esclarecemos que o animal do vídeo é um animal silvestre nativo da espécie Puma yagouarondi, conhecido como gato mourisco e considerado inofensivo”, afirmou a pasta. 

Frederico Jabbur, vice-presidente do CMC, esclareceu que não há qualquer risco ao animal nas dependências do clube, que é dedicado ao tiro esportivo e não à caça de animais, como o nome sugere. “O clube foi fundado em 1931 quando a caça era uma tradição”, explica. Segundo ele, os diretores ainda estão em conversa para verificar se é preciso solicitar a retirada do animal ao Ibama.

O órgão federal foi avisado nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) sobre a presença do felino na área do CMC, mas ainda não se manifestou sobre o assunto.

Registro

Quem conseguiu se aproximar da “dita onça” e fazer uma imagem do animal foi o gerente administrativo do clube, Daniel Rezende de Menezes, e o filho dele, Davi Félix. Segundo ele, funcionários do CMC que moram dentro da área do clube já sabiam que uma possível onça estaria andando pela mata, mas ninguém havia feito o registro.

“Quando vi a dita onça, reduzi a velocidade do carro e pedi para meu filho pegar a câmera e começar a filmar. O animal parou, olhou para nós e depois entrou para dentro da mata. Foi uma sensação de alegria, especialmente quando vimos que o animal estava bem de saúde”, contou Daniel.

Segundo o gerente, nos 103 hectares de área de mata fechada do clube há uma grande variedade de animais silvestres. Veados, capivaras, araras, jiboias, cachorros do mato, siriemas e raposas são alguns dos animais que podem ser vistos no local. “Aqui se tornou um verdadeiro santuário de animais em plena Região Metropolitana de Belo Horizonte”, disse. 

Moradora há mais de 20 anos do condomínio que fica logo à frente ao clube, Vilma Miranda espera que a segurança do animal seja respeitada, caso decida-se pelo seu manejo. “Somos nós que estamos invadindo o habitat deles e não o contrário. Temos o interesse de preservar os animais e o meio ambiente de todas as formas”.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de Santa Luzia afirmou que a Secretaria de Meio Ambiente teve consciência sobre a presença do animal no clube nesta quinta-feira (24), mas o manejo do felino cabe ao Ibama. 

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