Mais de 11 mil assassinos que cometeram crimes em Minas Gerais devem ficar impunes. Eles são autores de homicídios anteriores a 2007 que ainda não foram solucionados pela Polícia Civil. Esse é, segundo especialistas, o aspecto mais grave da medida que foi tomada em Minas Gerais, de priorização dos inquéritos de homicídios anteriores a 2007. A estratégia pode resultar no aumento da sensação de impunidade.

O fato de Minas ser o estado que menos consegue concluir homicídios antigos também revela as mazelas das investigações policiais, de acordo com o pesquisador do Núcleo de Estudos em Segurança Pública da Fundação João Pinheiro, Eduardo Batitucci.

A opinião é compartilhada por um pai que, seis anos após o desaparecimento do filho, perdeu a confiança na polícia. “Depois que a ossada foi localizada, nunca foi feito um esforço para encontrar o responsável. Há dois anos, não tenho nem notícia de como está o caso”, diz Benoni Prates Brandão, pai de Pedro Augusto Prates Beltrão, de 11 anos.

O garoto desapareceu em agosto de 2006, quando saiu de casa, no Centro de BH, para comprar lápis em uma papelaria. Os restos mortais do menino foram encontrados no ano seguinte, na Mata do Camargos, Noroeste da capital.

CASO ENCERRADO

A notícia de que o inquérito deve ser arquivado não surpreende a família. “Na prática, já está arquivado há tempos. Ninguém faz nada e contamos apenas com a sorte. Triste é saber que quem fez isso não vai pagar”, desabafa Benoni.

O episódio mostra o quanto é necessário que a polícia invista em contingente humano e tecnoló-gico, diz o especialista em segurança pública. “O mais grave é que os autores desses crimes não serão identificados”, avalia Batitucci.