Um esquema bilionário de sonegação de impostos na venda de cereais em Minas e em mais sete estados e no Distrito Federal foi desarticulado, nesta terça-feira (10), durante a operação “Quem viver verá”. A ação contou com uma força-tarefa formada pelo Ministério Público, polícias e fiscais das Receitas Estaduais e Federal. O prejuízo aos cofres públicos com as fraudes pode chegar a R$ 2 bilhões.

O foco da operação foram os profissionais que atuam como corretores de milho, soja e feijão, e dezenas de empresas “noteiras”, situadas em oito estados e o Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos 109 mandados de busca e apreensão, 73 deles em Minas, principalmente em Unaí, na região Noroeste do Estado, onde foi identificado um polo de estabelecimentos de fachada criados para a emissão de notas fiscais frias. 

Além dos mandados, foi apreendido grande volume de documentos, celulares e mídias que será analisado. As investigações apontaram que o volume de notas frias pode chegar a R$ 10 milhões e o total sonegado em cinco anos gira em torno de R$ 2 bilhões.  “Isso porque eles operam a emissão de notas fiscais frias de compra e venda, a partir de diversas empresas ‘laranjas’ que constituem. Eles se achavam invisíveis perante o Fisco, Ministério Público e polícia”, explicou o promotor Genney Randro Barros de Moura. “Com nossa atuação conjunta, estamos desmontando o esquema de sonegação no setor de grãos”, acrescentou.

De acordo com o MPMG, a operação é a terceira fase de um trabalho iniciado em 2017 pelos fiscos mineiro e federal de combate à farra das notas frias no setor de grãos. A ação identificou um grande polo de estabelecimentos de fachada criados para a emissão de notas fiscais frias de grãos no Noroeste de Minas. Após o mapeamento dessas empresas, foi realizada em 2018 a operação Ceres, que cumpriu 22 mandados de prisão em Unaí, Paracatu, Guarda-Mor, Belo Horizonte, Contagem, Formosa (GO) e em São Paulo.