A cidade de Simonésia, no Leste de Minas, foi alvo nesta sexta-feira (8) de uma operação conjunta entre os Ministérios Públicos Estadual e Federal em parceria com a Controladoria Geral da União que investiga empresários, servidores públicos e ex-secretários municipais investigados por fraudes em licitações. O objetivo da operação Mamulengo era cumprir 14 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva.

As investigações começaram a partir de irregularidades licitações realizadas pela prefeitura. Já se sabe que a administração municipal contratou uma rede de fornecedores de produtos e serviços comprometida a fornecer notas fiscais superfaturadas antes da assinatura dos contratos. O esquema contava com a atuação do investigado que exerceu o cargo de secretário municipal de Administração de 2009 a 2013, o qual, embora atualmente não ocupe cargo ou função pública, continua atuando como agente informal do Executivo, sendo o responsável efetivo por diversas contratações.

Segundo o MPMG, há elementos que indicam inclusive a contratação de empresas de fachada, sem sede física e sem funcionários, cujos contratos, de valores consideráveis, foram utilizados com a finalidade específica de desviar recursos públicos.

Foi identificado também que o ex-secretário de Administração teria utilizado “laranjas”: terceiras pessoas constavam dos contratos sociais como proprietárias de determinadas empresas contratadas pela prefeitura, embora, na verdade, essas empresas pertençam ao próprio ex-secretário e tenham sido utilizadas para desviar recursos de forma fraudulenta.

Levantamentos realizados no portal da transparência da prefeitura permitiram identificar o envolvimento de pelo menos 18 empresas, contratadas a partir de 43 procedimentos licitatórios, para a execução de serviços de engenharia civil, fornecimento de medicamentos, de mão de obra terceirizada, serviços de lanternagem e manutenção de veículos, fornecimento de gêneros alimentícios e de combustíveis, transporte de passageiros e promoção de shows e eventos.

Os valores envolvidos nos contratos alcançam o montante de R$ 6.779.756,64 em verbas públicas de origem federal, estadual e municipal.

A prefeita de Simonésia não é alvo das investigações, uma vez que até o momento não foram identificados indícios de sua participação no esquema criminoso.

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