Se normalmente golpistas buscam vítimas menos instruídas, um estelionatário de 27 anos preso nesta segunda-feira (15), pela Polícia Civil (PC), tinha entre suas vítimas principalmente médicos, juízes e até desembargadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O suspeito, que fazia parte de uma quadrilha que aplicava o chamado "golpe do cartão" ou "golpe do motoboy", foi apresentado nesta terça-feira (16) pela corporação.  

O delegado José Olegário de Oliveira, responsável pela investigação, conta como funciona o crime. "O golpe começa com uma ligação ao cliente, de uma pessoa se passando por funcionário do banco, dizendo que seu cartão está sendo usado para realizar uma compra com um valor bem acima do habitual. Ela é orientada a fazer o bloqueio do cartão e realizar uma ligação para o número 0800, que está no verso do mesmo. Ao fazer essa ligação, a vítima é orientada a cortá-lo ao meio e colocá-lo em um envelope. O falso funcionário do banco pede a senha, e fala que, por segurança, um motoboy irá buscar o cartão. O que o cliente não sabe é que, com o cartão cortado ao meio, o chip permanece intacto, e é possível realizar diversas transações", lembra. 

Ainda segundo o delegado, as vítimas caem no golpe a partir do momento em que ligam para o número do seu cartão. "Quando as pessoas ligam para o 0800 do cartão, os suspeitos utilizam um aplicativo que trava a linha telefônica, e a ligação na verdade cai em uma 'central' dos suspeitos que aplicam o golpe. É nesse sentido que a PC orienta as pessoas que receberem uma possível ligação do banco a realizarem a ligação de retorno de uma outra linha distinta daquela que recebeu a ligação", pontua Oliveira.

O suspeito, que, segundo a corporação, já foi preso em várias outras ocasiões, responderá por estelionato e associação criminosa. Além dele, um segundo integrante da quadrilha está com um mandado de prisão em aberto e é procurado pela PC.

Bens apreendidos

Nesta segunda, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra o homem, que é suspeito de ser um dos líderes do bando, com atuações inclusive fora de Minas Gerais. Na casa dele, em Ribeirão das Neves, foram apreendidos vários objetos como videogames, telefones celulares, impressoras e computadores. 

Os produtos foram adquiridos recentemente e a PC acredita que isso tenha ocorrido por meio da prática criminosa. Além disso, também foram localizados cartões de crédito de possíveis vítimas, máquinas de cartão de crédito, possíveis documentos utilizados de forma fraudulenta e uma motocicleta usada para buscar os cartões nas casas das vítimas.

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